São Paulo, 12 (AE) - A inflação de 0,46% apurada na primeira prévia do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) confirma a previsão de um número inferior a 0,5% em janeiro. Todos os grupos que compõem o IPC devem ter trajetória declinante nas próximas semanas, com exceção dos gastos com educação, que devem subir 4% em janeiro.
Na prévia, as despesas com educação ficaram 1,38% mais caras, mas a variação deve ampliar-se com a alta de 7% no preço das matrículas escolares este mês. Os gastos com material escolar subiram 0,7%, mas estão em baixa e devem ajudar a segurar a alta nesse grupo. Esse item pressiona mais os preços em fevereiro e março.
O alimentos ficaram no segundo lugar entre as maiores altas, com média de 1,07%. O peso desse item no índice é de 0,32 ponto percentual, equivalente a dois terços. Subiram também os gastos com habitação (0,12%), transportes (0,43%) e saúde (0 16%). Dois grupos tiveram variação negativa: despesas pessoais (-0,04%) e vestuário (-0,10%).
A inflação da primeira quadrissemana de janeiro mede a variação dos preços entre os dias 8 de dezembro e 7 de janeiro em relação ao período de 8 de novembro a 7 de dezembro do ano passado.
A alta de 4% nos gastos com educação deve contribuir com 0,16 ponto porcentual na inflação de janeiro. Outro 0,05 ponto deve vir do aumento no serviço telefônico, cujo impacto deve ser de 0,25 ponto percentual, distribuído entre janeiro e março. Se o índice de janeiro ficar abaixo de 0,5%, deve cair a inflação acumulada em 12 meses - de 8,64% em 99. Isso porque em janeiro do ano passado o IPC foi de 0,5%.
A partir de fevereiro, isso vai ocorrer com mais força, porque a inflação entre fevereiro e abril de 99 foi bem maior que a esperada para os mesmos meses deste ano. "Em abril, o índice de 12 meses deve ficar próximo do teto fixado pelo governo", diz o economista Heron do Carmo, coordenador do índice.
Perigo - No primeiro trimestre, só preocupam eventuais aumentos na tarifa de ônibus urbano e dos combustíveis, que ainda não foram definidos. No ano passado, os ônibus subiram 15% no dia 15 de janeiro. Este ano, ainda não se falou em aumento.
Entre os alimentos, deve mudar até o fim do mês a tendência verificada até agora de alta nos semi-elaborados e industrializados e queda nos in natura. Mas, com a nova composição do índice, que será divulgada no fim de janeiro, o peso dos alimentos no orçamento familiar cai de 30,8% para 22,7%
enquanto os gastos com habitação sobem de 26,6% para 32,8% do total.
"Como os itens que estão subindo mais perdem importância e os que estão em queda ganham peso, a inflação deve ficar menor", diz Heron. As primeiras prévias já estão sendo calculadas com a nova ponderação, mas o índice só será divulgado no IPC final de janeiro. O índice terá mais itens e será menos suscetível a variações sazonais.