IPC da Fipe fecha julho em 1,09%
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terça-feira, 03 de agosto de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 4 (AE) - O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) fechou o mês de julho em 1,09%. Em junho, o IPC havia registrado deflação de 0,08%. Na última quadrissemana de julho, o item que mais pressionou o IPC foi o de transportes (+4,21%).
A alta dos combustíveis fez com que a Fipe revisse a previsão de inflação para agosto, setembro e também para o acumulado de 1999. Para este mês, a previsão de inflação passou de 0,5% para 0,7%. Para setembro, de 0,3% para 0,4%. No acumulado do ano, a perspectiva era de que o índice chegaria a 5 8%, mas agora deve ficar entre 6% e 7%, de acordo com o coordenador do IPC-Fipe, Heron do Carmo. "A gasolina vai ditar o ritmo da inflação até o final do ano", disse.
No mês de julho, os reajustes das tarifas públicas e dos combustíveis somados foram responsáveis por uma inflação de 1 02% de um total de 1,09% apurado em julho. "Se não fosse a alta dos combustíveis e das tarifas, a inflação teria sido praticamente estável, com uma taxa de 0,07%", analisou Heron.
No acumulado de 1999, o índice está em 3,62% e, no acumulado nos últimos 12 meses o IPC chegou a 1,36% - a maior variação anual desde junho de 1998, quando o índice foi de 1 87%. De acordo com Heron do Carmo, a gasolina teve uma alta de 34,9% nos primeiros sete meses de 1999, sendo o item campeão em reajustes entre os mais importantes pesquisados pela Fipe. Em segundo lugar vem o gás de botijão, com uma alta de 30,86%, seguido da energia elétrica, que subiu 9,53%.
Impacto - Ao contrário do que disse o ministro do desenvolvimento, indústria e comércio, Clóvis Carvalho, que ontem (3) afirmou que a alta da gasolina não tem impacto generalizado na sociedade, Heron afirmou que essa explicação "não está de acordo com a realidade". Ele diz que um aumento de 10% no preço da gasolina traz um impacto de 0,32% na inflação.
Segundo Heron, o reajuste da gasolina afeta de forma ampla toda a população. No caso da cidade de São Paulo, há 5 milhões de veículos, resultando em uma média de dois por família e, de acordo com ele, até as famílias de baixa renda têm um carro que, às vezes, é um instrumento de trabalho.
Heron disse que é um erro dizer que a gasolina é um componente de custo externo, inevitável na composição dos preços
como afirmou ontem Carvalho. Segundo ele, o problema brasileiro é o déficit público. "O governo deveria resolver isso, já que ele é parte da economia do País e arrecada 30% do total", disse.
Uma evidência de que a gasolina não é um custo externo inexorável, segundo Heron, é o preço de venda do galão no mercado de atacado internacional. Hoje, o preço está abaixo de US$ 1,00, o que "dá uma dimensão" do quanto o preço é diferenciado. O coordenador da Fipe acha que o governo deveria escalonar m elhor a alta dos combustíveis, dando reajustes mais espaçados, o que aliviaria o impacto da composição da inflação.


