Rio, 30 (AE) - O Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) começa a vender este mês para hospitais das principais capitais brasileiras o iodo-123 ultrapuro, produto que substitui o iodo-131, utilizado em exames para diagnósticos de doenças da tireóide. Com doses radiológicas 60 vezes menores, o novo remédio vai beneficiar cerca de 120 mil pacientes/ano.
Os danos ao meio ambiente resultantes da liberação do elemento radioativo seriam reduzidos 5.900 vezes, segundo dados do IEN. O iodo radioativo é comumente usado nos exames para diagnosticar disfunções da tireóide e é ministrado sob a forma de comprimido. Após ingestão e algumas horas de espera para que o produto se acumule na glândula, equipamentos especiais "visualizam" a distribuição e o metabolismo deste elemento radioativo, indicando assim o tipo de distúrbio do paciente.
No Brasil é usado o iodo-131, que emite um raio gama com energia de 364 mil eletrons-volts (keV) e tem uma meia-vida (tempo em que a quantidade do produto no organismo é reduzida à metade) de 8 dias.
"Como são gastas apenas algumas horas para o exame e a meia-vida do iodo-131 é relativamente muito longa, o paciente fica exposto à radiação mais que o necessário", afirmou o superintendente do IEN, Sérgio Cabral. Segundo Cabral, não é possível medir os danos que essa exposição pode causar nos seres humanos, mas o objetivo é sempre reduzir ao máximo a radiação, como forma de prevenção.
Já o iodo-123, com um raio gama de 159 keVs e apenas 13 horas de meia-vida, tem uma dose radiológica 60 vezes menor, reduzindo em até 5900 vezes a emissão do elemento radioativo no meio ambiente. "É uma tendência mundial substituir o iodo-131 pelo iodo-123 nos exames de diagnóstico, o que já ocorre nos países da Europa, EUA e Japão", disse.
Desde 1986, o IEN, órgão da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), produz o iodo-123 em poucas quantidades, suficiente apenas para 160 pacientes por semana. Com um novo equipamento mais moderno, financiado pela Agência Internacional de Energia Atômica, a produção atual tem capacidade para atender a até sete mil pacientes por semana.
O iodo-123 custará aos hospitais R$ 13 o mcu - quantidade suficiente para ser usada por cinco pessoas. Já está certa a venda para os hospitais universitários da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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