A infra-estrutura tem papel fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável. A tarefa é a de viabilizar um quadro de qualidade de vida e a inclusão dos indivíduos nos processos de produção, consumo e cidadania. Para isso é necessário um conjunto de políticas públicas que contemplem investimentos em infra-estrutura sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades. Ou seja, melhorar a vida hoje, econômica e socialmente, e entregar um mundo melhor aos que irão nos substituir.

É necessário o acúmulo de capital para que o desenvolvimento prossiga, mas, desde que isso atenda a geração adequada de empregos, melhor distribuição da renda e proteja ambientalmente todo o Estado. Isso deve acontecer nas cidades e nos campos. E, preferencialmente, ligar as cidades e os campos. Distribuir melhor as indústrias pelo Paraná e oferecer condições para que o agricultor permaneça na área rural. É preciso promover a articulação entre a indústria e os setores primários como, por exemplo, o agropecuário, o florestal e o mineral.

O presidente do Instituto de Engenharia do Paraná, Gilberto Piva, disse que não adianta mais o Paraná apenas produzir o algodão, transportar para o Porto de Paranaguá e exportá-lo. ''Depois, este mesmo algodão volta ao Brasil sob a forma de tecido e nós vamos pagar um preço muito maior. É preciso agregar valor ao algodão, transformá-lo em tecido e depois exportar. Temos a terra fértil e a condição estratégica, mas não estamos sabendo usá-la'', alertou.

A Companhia Brasileira de Alumínio serve de exemplo. Ela percebeu que não adianta exportar a bauxita. É melhor exportar os produtos industrializados do alumínio. ''Isso agrega valores até 1.000% sobre o preço do produto in natura. Essa deve ser a grande meta dos governantes: fazer com que o estado crie condições para agregar valor nas fontes de produção'', disse Piva.

As condições de infra-estrutura do Paraná refletem diretamente também sobre as indústrias que dependem da rapidez e eficiência no escoamento da produção. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes de Carvalho, explicou que o alto custo de embarque e transporte dos produtos no porto inibe a competitividade internacional. ''A diversificação e o barateamento nos serviços de transportes, a segurança e a eficiência da malha viária são componentes da competitividade''.

E para que o Paraná caminhe em direção de um desenvolvimento regional paritário, ''o ideal é a descentralização e a democratização dos investimentos'', explicou Carvalho.

O Paraná precisa lançar um olhar mais atento sobre as condições de nossa ferrovia e rodovias, elementos vitais para a integração regional e crescimento do Estado. O governo pedagiou as rodovias do chamado Anel de Integração. Mas, as safras estão em outros locais e dependendo de outras estradas, estas em péssimas condições de uso. O fluxo da nossa produção agrícola fica, efetivamente, prejudicado. Piva aponta outros problemas que atingem nossos produtos agrícolas. ''Além do deslocamento das safras pela ferrovia e rodovias em estado lamentável, a armazenagem e a capacidade do Porto de Paranaguá necessitam de diversos melhoramentos''.

A integração regional como instrumento do desenvolvimento sustentável e paritário é de ''imensa importância'', na opinião do presidente da Associação Comercial do Paraná, Marcos Domakoski. ''Nós temos núcleos industrias e agrícolas importantes no Paraná que devem ser interligados através de rodovias e ferrovia em melhores condições. É preciso, também, investir pesado no setor de comunicação e energia''.

E assim, como na indústria e na agricultura, a infra-estrutura age diretamente também no desempenho do comércio. ''Quanto maior a infra-estrutura do Estado, menor o Custo Paraná. Isso torna o comércio, e o próprio Estado, mais competitivo. Quando não temos portos, rodovias e ferrovia em boas condições de uso para o transporte de mercadorias e escoamento das safras, estamos onerando o custo de todo o processo comercial'', explicou Domakoski.

Mas, não basta crescer. É preciso crescer respeitando e protegendo nosso patrimônio ambiental. De nada adianta o desenvolvimento econômico às custas da devastação de nosso ativo ambiental e de todas as formas de vida, inclusive a humana. As nossas indústrias estão se preparando para esse novo modelo? Elas estão tomando providências neste sentido? ''Sim. Há uma consciência para a importância da preservação ambiental'', respondeu o presidente da Fiep. ''Não se pode falar em desenvolvimento econômico, sem sensibilidade ecológica, sem responsabilidade social. Os empresários do setor industrial sabem disso. Nós da Fiep tratamos da ecologia como um componente da competitividade industrial e um imperativo da qualidade de vida''.

Essa é a nova dimensão econômica de sustentabilidade que deve prevalecer daqui em diante. A vida exige maiores cuidados e aguarda atitudes que atendam, simultaneamente e prioritariamente, o desenvolvimento econômico e a eliminação da pressão predatória sobre os nossos recursos naturais.

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