São Paulo, 02 (AE) - Relatório preliminar da Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento), obtido com exclusividade pela Agência Estado, mostra que o investimento estrangeiro direto (IED) na América Latina e o Caribe no ano passado cresceu 32%, passando de US$ 73 bilhões para US$ 97 bilhões.
A região foi a maior receptora desses capitais entre os países em desenvolvimento, superando a ásia e o Sudeste Asiático pela primeira vez desde 1986. Essas duas regiões captaram US$ 84 bilhões em 1999, de acordo com o relatório da Unctad. Os impactos desse investimentos no desenvolvimento desses países e o relatório final sobre IED farão parte dos debates durante a 10ª sessão plenária da Unctad, a ser realizada em Bangcoc, na Tailândia, entre os dias 12 e 19 deste mês.
O maior crescimento de IED foi observado na Argentina, onde ingressaram US$ 25 bilhões no ano passado, ante apenas US$ 6 bilhões em 1998, ano em que começou a repercutir as crises asiática e russa na América Latina. O Brasil, por sua vez, captou US$ 31 bilhões em 1999, acima dos US$ 28,5 bilhões no ano anterior.
O resultado significativo verificado na Argentina, de acordo com o relatório da Unctad, se deve às operações de fusões e aquisições realizadas no país no ano passado. Só a aquisção da YPF pela espanhola Repsol foi avaliada em US$ 17 bilhões. Segundo dados da KPMG, as operações de fusões e aquisções na América Latina o ano passado somaram US$ 39 bilhões, quase cinco vezes mais do que a região recebeu em 1990 (US$ 8 bilhões). Segundo a KPMG, a Argentina ocupa a oitava posição no ranking dos países que mais atraíram capital estrangeiro em 1999, totalizando US$ 20,56 bilhões em operações de fusões e aqusições. Já o Brasil captou US$ 9 bilhões nesse tipo de negócios.

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