Rio de Janeiro, 18 (AE) - Durante os próximos cinco anos, a indústria do petróleo receberá investimentos adicionais estimados em US$ 5 bilhões por ano com a entrada de empresas estrangeiras no setor.
Somado ao que a Petrobrás já vem injetando, será quase o triplo dos investimentos movimentados hoje, em torno de US$ 3 bilhões anuais. Segundo estudo feito Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para orientar financiamentos na área, a economia brasileira vai receber US$ 40 bilhões até 2004.
Será um impulso trazido não apenas pela entrada de grandes companhias, como Shell, Exxon e British Petroleum, mas também por uma rede de fornecedores, prestadores de serviços e uma gama de empresas que orbitam em torno das petrolíferas.
A Comsub é um exemplo desta mudança. Especializada em engenharia submarina, elevou, nos últimos 12 meses, de 500 para 800 seu quadro de funcionários. A expectativa é de que só o segmento de engenharia marinha nacional dobre o número de postos de trabalho, hoje em torno de 2 mil, nos próximos três anos.
Em 1997, quando foi anunciada a quebra do monopólio operacional, a Comsub foi incorporada pela norueguesa DSND, que adquiriu 90% de seu capital por US$ 28 milhões, atraída pelo potencial que seria aberto no País com novos atores na produção de petróleo. "Nosso faturamento cresceu de US$ 42 milhões em 1997 para US$ 65 milhões no ano passado e este ano a expectativa é de que chegue a US$ 200 milhões", comemora Victor Bomfim, diretor da agora DSND-Comsub.
Antes a carteira de clientes da empresa se resumia à Petrobrás (70%) e à Marinha (30%). Nos últimos meses foi firmado contrato com a britânica Amerada Hess, uma das vencedoras do leilão desta semana. A empresa fabrica e opera equipamentos especiais para operação no fundo do mar e treina profissionais para tarefas muito específicas como a de piloto de robôs. O mercado que está se abrindo hoje vai criar oportunidades de trabalho especialmente para uma camada muito especializada de mão-de-obra.
O presidente do Sindicato da Indústria Naval (Sinaval), Omar Peres, acredita que serão criados 20 mil empregos no setor naval nos próximos cinco anos. O Rio de Janeiro é o Estado que concentra este setor industrial, com cinco estaleiros que já empregavam, até o início da década de 80, cerca de 40 mil pessoas. Hoje, este número não passa de 3 mil e três estaleiros estão com suas atividades paralisadas.
Para Peres, o crescimento no número de empregos será proporcionado pelo leilão da Agência Nacional do Petróleo, combinado ao anúncio da Petrobrás de passar a fazer nos estaleiros nacionais os reparos de seus petroleiros e ao programa de incentivo do BNDES para a indústria nacional.
O banco anunciou esta semana dispor de US$ 1 bilhão para financiamentos imediatos. Também presidente do Estaleiro Mauá, que recentemente associou-se à empresa de engenharia Marítima, Peres chamou a atenção para o fato de que "há uma nova demanda natural para o setor." A avaliação do diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, é de que a oferta de empregos total para o setor fique entre 250 mil e 300 mil durante o período de entrada das novas empresas, nos próximos três anos. Segundo ele, o comportamento natural dessas empresas é a de formar pessoal nos países onde ingressam.
A maior parte dos investimentos, porém, é esperada para a segunda fase de atuação das empresas, depois da fase de pesquisa nas concessões adquiridas. Nesta etapa, chamada de "exploração", as companhias farão trabalhos de prospecção para saber se há jazidas de petróleo no local escolhido. Os recursos pesados entrarão no País Somente se for confirmada a expectativa.
Por concentrar a atividade de exploração e produção de petróleo, o Estado do Rio será o mais imediatamente beneficiado com a concorrência no setor. Mas, especialistas prevêem a criação de novos pólos petrolíferos no País, como São Paulo e Espírito Santo. Embora não prometam chegar ao mesmo patamar da Bacia de Campos, de onde são retirados mais de 800 mil de óleo por dia, 75% da produção nacional, as bacias de Santos e do Espírito Santo são muito atraentes para os novos negócios. A área que registrou maior ágio do leilão (53.500%) foi em Santos, arrematada pela italiana Agip.
"Santos tem um grande potencial de gás e fica muito perto do mercado consumidor, o que reduz custos de produção", explica Jean-Paul Prates, diretor da Expetro Internacional, consultoria especializada em petróleo. "O problema é que o gasoduto Brasil-Bolívia será também um grande concorrente."

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