São Paulo, 10 (AE) - A queda das taxas de juros e, principalmente, os elevados índices de inflação que estão corroendo a rentabilidade das aplicações em renda fixa estão provocando uma migração dos investidores para o mercado acionário. Dois indicadores mostram esse movimento. Enquanto o volume médio diário de negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) somava R$ 478 milhões em agosto, em novembro passou para R$ 777,6 milhões e, nos primeiros dias de dezembro, já superava os R$ 814 milhões. Um levantamento da Associação Brasileira dos Bancos de Investimento e Desenvolvimento (Anbid) mostra quem está perdendo. Os FIFs renda fixa, por exemplo, saíram de um resultado positivo de R$ 1,1 bilhão em outubro para um déficit - volume de saques superior às aplicações - de R$ 2 bilhões em novembro.
Ainda segundo a Anbid, os fundos de ações e carteira livre passaram de um saldo líquido negativo de R$ 706,32 milhões em outubro para um resultado positivo de R$ 638,93 milhões em novembro. "O importante é que, além de aumentar o volume de recursos da bolsa, cresceu também o número de negócios", afirmou o presidente da Bovespa, Alfredo Riskallah. A média diária pulou de 15,6 mil negócios no ano para 23,5 mil em dezembro. No dia 2 somaram 28,2 mil.
Outro motivo vem contribuindo para o bom desempenho do mercado acionário. Riscallah destacou que esse foi o grande ano para as bolsas de valores do mundo inteiro. Em dólar, o índice da Bovespa valorizou-se 39%, alta igual à da Bolsa de Paris; a Bolsa de Frankfurt, 22%; de Buenos Aires, 29%; a Bolsa de Londres, 14% e a do México, 69%. "A liderança e expansão da economia norte-americana, a recuperação da comunidade européia e a superação de problemas no sudeste asiático foram decisivas para o bom desempenho do mercado acionário mundial", afirmou. Com a alta de 1,36% registrada ontem, o Ibovespa atingiu 14.783 pontos, o novo recorde histórico.
A partir de janeiro a bolsa paulista deve receber mais gás com os investimentos estrangeiros retornando ao País. Nos últimos dois meses esses recursos diminuíram com as preocupações com o bug do ano 2000. Riscallah acredita que as expectativas de crescimento da economia e da aprovação da Reforma Tributária devem melhorar a percepção em relação ao Brasil.

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