Investimentos estimulam a cultura
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de junho de 1997
Maria Tereza Boccardi Especial para a Folha 
Ney de SouzaIdéiasMural das Cataratas; cidade espera Fórum Cultural, Espaço Cultural Arandú e Usina do Conhecimento Somados os empreendimentos da iniciativa privada e dos governos municipal e estadual, mais de R$ 2,8 milhões estão sendo investidos nas áreas de cultura e lazer em Foz do Iguaçu. Pelo menos quatro projetos devem ser desenvolvidos até o final deste ano: o shopping de lazer Iguassu Boulevard, o Fórum Cultural, o Espaço Cultural Arandú e a Usina do Conhecimento.
Essas iniciativas devem atenuar a falta de espaços para atividades culturais na cidade. O grupo Rafain está investindo cerca de R$ 2 milhões na construção do primeiro shopping de lazer da cidade. É o Iguassu Boulevard - o principal investimento da iniciativa privada no setor.
Ney de SouzaFundação Cultural: parceria
Com 10 mil metros quadrados de área, o empreendimento terá cine-teatro com 260 lugares (hoje Foz conta com apenas um cinema), salão de boliche computadorizado e praças de alimentação e eventos. Por meio de uma pesquisa de mercado percebemos que Foz tem carência na área de lazer e em alguns setores da gastronomia, avalia Adelcio Rafagnin, um dos sócios do shopping.
A falta de espaços culturais na cidade motivou o juiz Luiz Sérgio Neiva de Lima a sonhar com a implantação do Fórum Cultural. A idéia é transformar o prédio histórico da antiga sede da Justiça de Foz do Iguaçu, construído em meados da década de 40, em um espaço permanente de debates culturais.
Desde a construção do novo Fórum, há mais de 10 anos, acredito que a área deve ter um destino nobre, compatível com o seu passado, um Fórum de Cultura, no sentido clássico, propõe o juiz.
Com mais de 20 salas, o local deve abrigar o Museu da Justiça, ateliê de artes plásticas, espaços para teatro, concertos, dança, cursos de literatura, história, turismo e tudo que se relacione com cultura.
De acordo com ele, a proposta é fazer alguns reparos e as adaptações necessárias sem gastar muito. O anteprojeto do Fórum Cultural já foi entregue ao prefeito Harry Daijó (PPB). O prefeito informou que, dentro de 30 dias, deve ser apresentada uma proposta à Secretaria Estadual de Cultura para desenvolver o projeto em parceria. O mais díficil é construir um prédio e isso nós já temos.
Ney de SouzaIguassu Boulevard, shopping de lazer com cine-teatro de 260 lugares
Daijó explicou que, em parceria com a Fundação Cultural, a mão-de-obra e o funcionamento devem ficar sob a responsabilidade do município, enquanto a verba necessária para a implantação, calculada em R$ 500 mil, ficaria a cargo do Estado.
ArandúO diretor da Fundação Cultural, Marco Aurélio de Matos Alexandre, quer inaugurar até setembro o Espaço Cultural Arandú, que na língua guarani significa saber. Vamos adaptar um salão alugado para transformá-lo em casa de espetáculos, explica.
O espaço deverá ter um cine-bar, com telão, para a promoção de mostras de cinema. Também servirá para aulas de dança, teatro e outras atividades. De acordo com Alexandre, o orçamento municipal destina cerca de R$ 1 milhão por ano para a manutenção da autarquia (entidade auxiliar e descentralizada da administração pública).
A Fundação mantém atualmente mais de 20 projetos em andamento, a maioria dirigidos à população de baixa renda. Na falta de espaços adequados, eles são desenvolvidos com versatilidade nas ruas, escolas, creches e hospitais.
UsinaAté o início do próximo ano, a cidade deve ganhar uma Usina do Conhecimento. O projeto, do Governo do Estado, prevê a formação de um espaço de educação informal gratuita. Segundo a coordenadora geral do projeto, Sueli Moraes Seixas, até dezembro a usina deverá ser implantada em 15 municípios do Paraná. Ela calcula que a instalação de cada uma delas tem um custo aproximado de R$ 300 mil. Sem contar os gastos com equipamentos e funcionários.
Inicialmente, as usinas vão oferecer atividades nas áreas de ciência e tecnologia, arte e cultura e comunicação e lazer. Queremos trabalhar o saber, mas o saber aplicado, com a participação holística (global), explica o coordenador da área de ciência e tecnologia, o professor Ernesto Knauer.
Todas as unidades serão equipadas com microcomputadores e impressoras, ilhas de editoração e multimídia, ateliê para cada uma das áreas e mini-auditório para atividades de teatro, música e dança.
A usina de Foz do Iguaçu será instalada no centro da cidade, em uma área de 572 metros quadrados, em frente ao Bosque Guarani. Procuramos sempre um local de fácil acesso para a população, afirmou Sueli. De acordo com ela, a construção do prédio deve ser iniciada nos próximos dias. A arquitetura dos prédios lembra um catavento sem uma das partes.


