Investimentos espanhóis na América Latina quadruplicam em 8 anos
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 19 (AE) - A Espanha consolidou-se como o segundo maior investidor na América Latina e a sua participação em investimentos externos diretos (IED) pulou de apenas 29%, em 1990, para 72% em 1998, de acordo com estudo da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).
O volume de recursos espanhóis aplicados nesse período praticamente quadruplicou, passando de US$ 4,5 bilhões para US$ 18,5 bilhões. A maior parte desses investimentos ficou concentrada nas mãos de empresas consideradas hoje multinacionais, como a Telefónica, Repsol-YPF, Banco Santander Central Hispano (BSCH), Banco Bilabao Vizcaya Argentaria (BBVA) e as energéticas Endesa e Iberdrola.
A Cepal afirma que o motor da expansão internacional dessas empresas parece ser o processo de globalização, que vem sendo interpretado como "o surgimento, a longo prazo, de um único mercado universal". Segundo a organismo das Nações Unidas
cuja sede fica em Santiago do Chile, as companhias espanholas "têm pressa para estabelecer seus sistemas internacionais e consideram estar diante de uma oportunidade estratégica única: a América Latina".
O estudo da Cepal mostra ainda que a Telefónica passou a ser a maior empresa de telecomunicações de língua hispana no mundo. "Depois de investir mais de US$ 10 bilhões na América Latina, principalmente na aquisição de companhias existentes, cerca de 31% dos ativos da Telefónica são estrangeiros e a empresa conta ainda com 49 milhões de clientes no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Porto Rico e outros países da América Central", afirma o estudo.
De acordo com a Cepal, a Telefónica espera ainda investir US$ 20 bilhões na América Latina para consolidar a sua posição dominante no mundo de língua hispana e portuguesa e para poder expandir-se em outros segmentos do mercado de telecomunicações. Para isso, a companhia do controvertido presidente Juan Villalonga, que foi recebido esta semana pelos presidentes Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, e Alberto Fujimori, do Peru, fez alianças estratégicas com a MCI WorldCom, Portugal Telecom, Iberdrola e com o BBVA.
Diversificação - O BSCH e o BBVA, produtos de fusões ocorridas na década de 90 na Espanha, também se encontram entre os mais importantes investidores na América Latina. Os dois bancos aplicaram mais de US$ 10 bilhões na região e, além de ter um grande número de agências regionais com ativos que superam os US$ 20 bilhões e mais de 16 milhões de clientes, estão entre os líderes na administração de fundos de pensão privados do continente. É bom lembrar, entretanto, que no ano passado o BSCH e o BBVA fizeram parte do ranking de bancos europeus com classificação de risco mais alta.
A Endesa, a principal companhia energética da Espanha e a terceira do setor na Europa, investiu entre 1992 e 1998 mais de US$ 8 bilhões em 12 países e adquiriu grandes companhias em sete países latino-americanos. Hoje, de acordo com a Cepal, a energética espanhola conta com 25 milhões de clientes na região e 40% de seu lucro é gerado pelas energéticas latino-americanas nas quais tem participação. A Iberdrola, por sua vez, investiu mais de US$ 2 bilhões em seis países e conta com cerca de 15 milhões de clientes na América Latina.
Já a Repsol, hoje entre as dez maiores do mundo no setor de petróleo com a aquisição da YPF, por quase US$ 13 bilhões no ano passado, investiu US$ 19 bilhões na América Latina. A Repsol participou ainda em fusões e aquisições de empresas petroleiras e adquiriu concessões para a exploração de petróleo em outros oitos países latino-americanos. Devido aos ativos dessas empresas, a Repsol-YPF entrou na lista das 500 maiores companhias da "Fortune", passando do lugar número 257, em 1997
para o 224 em 1998.
Em recentes declarações, o ministro de Economia da Espanha, Rodrigo Rato, disse que, no ano passado, os investimentos diretos da Espanha no Exterior somaram US$ 30 bilhões. "A maior parte desses recursos foi direcionada para a América Latina, onde a Espanha se transformou no segundo maior investidor, perdendo apenas para os EUA", afirmou.


