Investimentos em petróleo devem alcançar meta de US$ 70 bi
Rio, 16 (AE) - Mais procurados no leilão da Agência Nacional de Petróleo, os blocos em áreas profundas devem exigir investimentos iniciais de US$ 100 milhões em pesquisa, cada um. Depois da fase de exploração, em caso de descoberta de petróleo a estimativa é de investimentos de US$ 1 bilhão em cada bloco para iniciar a produção de petróleo, segundo avalia o presidente da Unocal do Brasil, Sérgio Brandão. Assim, os recursos mais pesados no setor só devem ingressar no País a partir do terceiro ano de operação das empresas.
Para Brandão, é possível o governo alcançar a meta de US$ 70 bilhões de investimentos no País neste setor nos próximos dez anos, como estimou. Segundo o presidente da Unocal, o bloco 2 da Bacia do Espírito Santo, arrematado pela companhia em parceria com a YPF e a Texaco, receberá nos próximos 10 anos pouco mais de US$ 1 bilhão de investimentos.
O retorno esperado justifica o volume de dinheiro, explicou. "Acreditamos que a área é sub-explorada, com uma quantidade imensa de gás natural e óleo condensado", afirmou. "Estamos falando de vários trilhões de metros cúbicos de gás." O presidente da Unocal lembrou que o óleo condensado é um produto de altíssima qualidade. "É quase como uma gasolina natural", informou Brandão, para quem o bloco deve ter vários campos.
As estimativas do grupo são de vender o gás diretamente ou utilizá-lo para produzir energia, por meio de uma usina termelétrica. A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) já tem planos de construir uma usina deste tipo no Espírito Santo.
O presidente da Shell do Brasil, David Pirret, explicou que, após conhecer melhor o mercado brasileiro neste primeiro leilão, a companhia pretende participar de novas licitações e estuda três contratos de parceria com a Petrobrás. "A estratégia para o Brasil era disputar blocos em áreas profundas", informou Pirret, sobre a atuação da empresa no leilão. Das duas disputas em que participou, a Shell conseguiu adquirir um bloco, em consórcio, na Bacia da Foz do Amazonas.
O diretor da British Borneo, Steven Edrich, lembrou que o custo de perfuração de um poço em águas profundas pode chegar a US$ 20 milhões. A formação de consórcios com grandes empresas foi explicada por ele como uma estratégia para diluir os custos. Edrich lembrou que áreas como a Bloco 1 da Bacia de Foz do Amazonas exigem tecnologia avançada e gastos expressivos, por ser em águas profundas e longe do continente.
Parcerias - Além da participação nas licitações da ANP, as empresas estão de olho também nas parceiras com a Petrobrás, que permanece como a principal empresa do setor no Brasil. Edrich lembrou que a British Borneo já fechou dois contratos com a Petrobrás, um na Bacia de Campos e na Bacia de Santos. A expectativa é aumentar ainda mais sua proximidade com a estatal brasileira nos próximos anos.
O presidente da Unocal do Brasil, Sérgio Brandão acrescentou que, próximo bloco 2 da Bacia do Espírito Santo, arrematado pela empresa, existe outra área da Petrobrás com a qual a Unocal tem expectativa de explorar, negociando pareceria a estatal brasileira. O executivo afirmou que ontem (15) a empresa já havia fechado dois contratos de parceria com a Petrobrás, na Bacia de Camamu-Almada (BA), no valor total de US$ 100 milhões.
A Shell também está em conversas com a Petrobrás para fechar três contratos, o presidente da companhia no Brasil mas não quis adiantar quais são as áreas interessadas.Por Irany Tereza, Gustavo Alves e Mônica Ciarelli ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca corrige informações, no primeiro parágrafo. Por favor, desconsidere a enviada anteriormente.





