Investimentos de empresas de previdência privada crescem 40% em um ano
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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 09 (AE) - A carteira de investimentos das empresas de previdência privada aberta cresceu 40% de julho de 1998 para julho deste ano, atingindo R$ 10,1 bilhões. As receitas também aumentaram na mesma proporção durante o primeiro semestre e chegaram a R$ 1,9 bilhão. Para o segundo semestre, o presidente da Associação Nacional da Previdência Privada (Anapp) e vice-presidente do Banco Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, prevê 30% de crescimento no faturamento do setor, que em 1998 foi de R$ 3,2 bilhões.
"A previdência privada aberta é destinada a ser o motor de financiamento da economia brasileira", afirma o titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Hélio Portocarrero. As empresas do setor estão tentando abrir novas frentes de negócios para crescer ainda mais. Segundo Cappi, elas observam atentamente o projeto do governo de regulamentação de fundos de pensão de Estados e municípios, porque pretendem administrar esses recursos.
Na opinião do presidente da Anapp, "não é do escopo do governo gerir esse dinheiro". Além disso, permitindo a competição pelo direito de administrar a previdência estadual e municipal, o governo pode conseguir rentabilizar mais seus ativos. "Defendo uma administração privada em regime concorrencial", disse Cappi hoje, durante comemoração dos 25 anos da Anapp.
Escolha - "Nenhuma previdência social pode prometer a integralidade dos rendimentos, por isso tem de haver um sistema misto, em que o cidadão busca o rendimento básico no Estado e o complemento na previdência privada", completou. Mas no futuro, ele quer que o cidadão possa escolher quem vai administrar sua poupança: o governo ou uma empresa. "Isso não seria viável imediatamente porque o governo teria de reconhecer o déficit e estouraria as contas públicas".
Segundo Cappi, o déficit da Previdência Social em 1999 deve ser de R$ 44 bilhões, R$ 11 bilhões apenas no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). O Estado de São Paulo, que tem 600 mil aposentados, deve ter um buraco de R$ 5 bilhões. "A grande crise não é a da previdência do funcionalismo privado, mas do público", explicou o executivo. "Não gosto de usar o termo falência da Previdência Social, mas insolvência, porque tudo que arrecada em um mês é transformado em despesa no outro".
Na transição até o modelo de escolha de gestão, sugere Cappi, o governo abriria mão de parte do recolhimento ao Estado para depositar o valor em uma conta individual dos trabalhadores. E os trabalhadores que ingressarem agora no sistema previdenciário já estariam em um modelo de capitalização
em que cada um poupa para sua própria retirada. Hoje o modelo é de repartição, em que os trabalhadores da ativa custeiam os aposentados.


