São Paulo, 03 (AE) - A Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) estima que os investimentos diretos estrangeiros no País cairão para US$ 22 bilhões neste ano, recuando para US$ 18 bilhões em 2001. A Sobeet acredita, ainda, que a redução da entrada de moeda estrangeira vai dificultar o financiamento do balanço de pagamentos.
No ano passado, esses investimentos alcançaram US$ 30 bilhões, acima dos US$ 28,7 bilhões de 1998. Segundo Antonio Corrêa de Lacerda, vice-presidente da Sobeet, a redução nas privatizações é a principal responsável pela diminuição da entrada de investimentos estrangeiros no País. A Sobeet estima que a partir de 2001 as inversões externas se estabilizem em cerca de US$ 17 bilhões anuais.
O vice-presidente da Sobeet acredita que, além do possível efeito no balanço de pagamentos, o crescimento do fluxo dos recursos estrangeiros para o setor de serviços pode impactar a balança comercial. De 1995 para cá, o percentual de capital internacional na indústria vem diminuindo (55% em 95 para 23,5% até meados de 99), enquanto a área de serviços cresce (43,4% em 95 para 55,9% em 98 e 47,9% até agosto passado).
Serviços tem sido, desde 1996, o setor que mais recebe investimento direto estrangeiro, com destaque para as áreas de telecomunicações e bancos, e deve manter a posição nos próximos anos. "No setor de serviços há poucos segmentos que geram receita em dólar, com exceção de turismo", diz Lacerda. Assim, conclui, o crescimento de um setor que não exporta apresenta risco para a balança comercial.
Na avaliação da entidade, o grande desafio do País é registrar um superávit comercial de 2,5% do PIB ao ano, diminuindo a vulnerabilidade do País ao investimento externo. "O Brasil precisa ampliar as exportações de produtos comercializáveis para compensar o crescimento de um setor que não exporta". A situação cambial do Brasil, segundo Lacerda, é hoje bastante confortável. A projeção da Sobeet para a balança comercial é de superávit de US$ 3,8 bilhões neste ano, e de US$ 7,7 bilhões em 2001. A estimativa da entidade é de uma taxa de câmbio de R$ 1,80 por dólar ao final deste ano, e de R$ 1,90 no mesmo período do ano seguinte. A taxa nominal de juros, segundo a projeção, ficará em 17% no fim deste ano, chegando a 13% no fim de 2001.