São Paulo, 26 (AE) - Quem investiu em ações em fevereiro obteve o melhor rendimento do período, além de ter conseguido rentabilidade superior à variação da inflação medida pelo IGPM da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Índice Bovespa (IBovespa) teve alta de 9,04% no mês, enquanto o IGPM ficou em 3,61%. Nenhuma outra aplicação conseguiu sequer chegar perto desse índice. Na renda fixa, o melhor desempenho foi dos CDBs para grandes quantias, com rendimento líquido de 2,11%, amargando uma perda real (comparada à inflação) de 1,47%. Os fundos de 60 dias DI, as aplicações mais indicados no momento, ficaram logo atrás, com rentabilidade de 1,89%. A popular caderneta teve o pior desempenho da renda fixa, acumulando alta modesta de 1 33%.
Se o Banco Central (BC) mantiver os juros nos atuais níveis, em 39% ao ano, a expectativa é que a inflação volte a ficar acima da rentabilidade da renda fixa pelo menos até abril. Um juro de 39% ao ano equivale a uma taxa mensal bruta de 2,78%. A partir de maio, é provável que a inflação, provocada pela desvalorização do real, recue para níveis mais baixos. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se, para deliberar sobre o nível dos juros. Uma parte dos analistas entende que a entidade poderá elevar as taxas, para tentar controlar o câmbio e evitar pressões inflacionárias.
Bolsas - O bom desempenho das bolsas deveu-se em boa parte à maior participação do capital estrangeiro nos pregões, segundo o administrador de Renda Variável da Oryx Asset Management, Gabriel Jafet. De fato, até o dia 19, a entrada de recursos estrangeiros nos mercados de ações superou a saída em R$ 343,895 milhões, de acordo com dados da Bovespa.
Jafet entende que o humor do mercado melhorou um pouco desde a indicação de Armínio Fraga para a presidência do Banco Central (BC), no início do mês. O nome de Fraga agrada aos investidores, que consideram importante a presença de um operador experiente no comando da instituição, especialmente num momento de turbulência como o atual, de transição para o câmbio livre. Jafet diz que houve uma melhora, ainda que pequena, das expectativas em relação ao País, se comparado com o clima do fim de janeiro.
Além disso, ele também notou compras por parte de fundos de ações e de carteira livre. Os investidores internos estariam destinando parte dos recursos para as bolsas porque as ações são ativos reais (ao adquirir os papéis, o investidor está comprando parte da empresa). Além disso, elas tendem a subir, em termos nominais, caso a desvalorização do real se aprofunde.
Depois de disparar em janeiro, o dólar comercial, usado no cálculo das cotas dos fundos cambiais, apresentou pequena queda este mês, de 1,45%.
O recuo do paralelo foi mais acentuado, pois a demanda nesse segmento não tem sido das maiores, tanto que a cotação do black segue abaixo da do comercial. No mês, o paralelo teve queda de 7,14%.
Desempenho no ano - A situação no ano é bem diferente da ocorrida em fevereiro. Em 99, a liderança das aplicações fica com o ouro, que acumula alta de 71,82% desde janeiro. A alta do metal é tão expressiva porque ele é cotado em dólar. Assim, a valorização da moeda norte-americana em relação ao real explica o pulo da cotação do ouro.
A segunda colocação é do dólar comercial, que subiu 68 85% desde o começo do ano. Mais atrás aparece o paralelo, com alta de 51,16%. Em quarto lugar está o investimento em ações.
O IBovespa já subiu 31,34% em 99. Essa valorização ocorreu principalmente porque, com a desvalorização, as ações ficaram baratas em dólar. A renda fixa surge muito abaixo: os CDBs para grandes quantias acumulam alta de 3,70%.

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