Brasília, 17 (AE) - O Brasil bateu todos os recordes no investimento direto em 1999. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, nunca, em anos anteriores, entrou tanto dinheiro no País para investimentos produtivos. Foram US$ 29,976 bilhões líquidos contanto com as privatizações, da ordem de US$ 8,786 bilhões. Mesmo descontadas as privatizações, o investimento direto permanece o número mais elevado de que se tem notícia, US$ 22 591 bilhões.
Essa montanha de recursos foi suficiente para cobrir todo o déficit em conta corrente, de US$ 24,375 bilhões no ano, e ainda sobrar US$ 5,601 bilhões, o equivalente a 1,01% do Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com Lopes, é o melhor resultado desde maio de 1993, quando o investimento direto suplantou o déficit em transações correntes em 1,09% do PIB. Em vários meses e anos essa relação foi deficitária, ou seja, o que o País captava em investimentos diretos não era suficiente para cobrir o déficit em transações correntes.
Com esse desempenho, segundo Lopes, o País não precisou recorrer a outros mecanismos, como empréstimos de curto prazo, para cobrir o déficit. "Não foi necessário buscar outras fontes de financiamento", afirmou o chefe do Depec. Lopes fez questão de ressaltar que o investimento direto implica em mais investimentos nos próximos anos.
"Quem investe para adquirir uma empresa, por exemplo, depois precisa fazer novos investimentos para torná-la moderna e competitiva", explicou.
Em 1999, do total bruto de investimentos diretos que entrou no País, de US$ 31,377 bilhões, apenas US$ 1,401 bilhão saiu. E, mesmo assim, segundo Lopes, nem todo esse dinheiro saiu porque parte representativa, de US$ 576 milhões, foi transformada em empréstimo, ou seja, permaneceu no Brasil mas saiu do investimento direto. Em 1998 os investimentos diretos somaram, liquidamente, US$ 25,893 bilhões; em 1997 foram de US$ 17,083 bilhões.
Para este ano, segundo Lopes, a expectativa do governo é que os investimentos diretos sejam da ordem de US$ 25 bilhões, mais do que suficiente para cobrir o déficit em transações correntes, que deverá ser bastante semelhante ao verificado em 1999, ou seja, entre US$ 23 bilhões e US$ 24 bilhões. Do total de investimentos diretos previstos para o ano 2000, apenas entre US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões deverão resultar das privatizações. Até 14 de janeiro os investimentos diretos líquidos no País já somavam US$ 1,409 bilhão.
Reservas - Ao final de dezembro passado o nível das reservas internacionais do País apresentou queda de US$ 5,8 bilhões em relação a novembro, segundo dados do Banco Central. No conceito de caixa, as reservas internacionais estavam em US$ 35,554 bilhões e em US$ 36,342 bilhões no conceito de liquidez internacional, que leva em consideração o que o País tem a receber a médio e longo prazos. Esse nível de reservas era suficiente para suportar nove meses de importação.
Lopes explicou que esse nível é bastante confortável e que a queda ocorreu devido à política adotada pelo governo brasileiro, de pagar um volume considerável de recursos obtidos no pacote de ajuda internacional. O BC pagou US$ 447 milhões de principal e juros ao Banco de Paris, US$ 1,978 bilhão de principal ao Fundo Monetário Internacional (FMI), US$ 2,9 bilhões de principal ao BIS (Banco de Compensação Internacional)
além de outros US$ 164 milhões de juros. Ao Banco do Japão o BC pagou US$ 273 milhões de principal e US$ 15 milhões de juros.
O BC também gastou, mas já recebeu de volta este mês, US$ 1,3 bilhão na operação casada, realizada em dezembro passado
para suprir a liquidez do mercado. Apenas US$ 170 milhões foram gastos pelo BC em vendas de moeda estrangeira no mercado doméstico. Do lado do aumento das reservas o País ganhou US$ 137 milhões com a liberação de garantias colaterais, mais US$ 98 milhões com a apropriação de juros sobre a aplicação das reservas e US$ 84 milhões em outras operações. Em dezembro o Brasil também sacou a terceira parcela do FMI, no valor de US$ 1 121 bilhão.

mockup