Investimento compensa baixo desempenho comercial, dizem técnicos
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segunda-feira, 17 de maio de 1999
Por Lu Aiko Otta 
Brasília, 18 (AE) - A redução da estimativa de resultado da balança comercial neste ano, de um superávit de US$ 11 bilhões para algo entre US$ 3,4 bilhões e US$ 5,3 bilhões, não deverá atrapalhar o cumprimento das metas acordadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo avaliam técnicos do Ministério da Fazenda. O menor fluxo de recursos na área comercial tem sido compensado pelo ingresso de investimentos diretos. Não há nenhum compromisso quanto ao resultado da balança comercial.
Porém, seu saldo influencia a formação de um dos critérios de desempenho, que é o Crédito Doméstico Líquido, dado pela diferença entre o valor das reservas internacionais e a base monetária. As reservas, por sua vez, são afetadas pelo desempenho da balança comercial e do ingresso de capitais estrangeiros no País. "Estamos permanentemente olhando as perspectivas para este ano", explicou o técnico.
A notícia de que o Produto Interno Bruto (PIB) teve crescimento no primeiro trimestre deste ano, na comparação com os últimos três meses de 98, puxa para cima as estimativas de arrecadação federal - que, por sua vez, afetam outro critério de desempenho, o resultado primário das contas do setor público consolidado (dado pela diferença entre receitas e despesas, exceto juros, dos governos federal, estaduais, municipais e empresas estatais).
Os cálculos com o FMI foram feitos considerando-se uma retração de 3,8% no PIB em 99, projeção que já foi abandonada pelo governo. Agora, trabalha-se com a estimativa de queda inferior a 2%, podendo chegar até a um crescimento de 1%, conforme estimativas mais otimistas.
No entanto, o mais provável é que a estimativa de receitas do governo seja revista para baixo, segundo informou ontem (17) o secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães. Uma das razões é a frustração das receitas decorrentes do superávit da conta-petróleo, estimadas para este ano em R$ 4,950 bilhões.
Outro motivo para a arrecadação crescer menos é a estimativa de inflação mais baixa. Quando o acordo com o FMI foi feito, a perspectiva era de que os índices de preços ao consumidor fechariam o ano na casa dos 12%. Atualmente, as estimativas são inferiores a 10%.


