Londrina – Os investigadores lotados nos distritos londrinenses que mantêm carceragens ativas voltaram à função de cuidar de presos nesta semana, o que representa desvio de função. O contrato temporário que a Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos mantinha com agentes carcerários encerrou-se no último domingo e o setor ficou desguarnecido.
Desde o início da semana os presos são vigiados por policiais civis, que se dividem em turnos nos distritos policiais.
O 4º DP, construído para abrigar 24 homens, estava ontem com 120 presos provisórios. No 5º DP, idealizado para a mesma capacidade, abrigava 115.
"É um claro desvio de função que traz prejuízos não só aos policiais, mas à população em geral já que as investigações ficam comprometidas", criticou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol), Ademilson Batista.
Para piorar a situação, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Justiça (Seju) informou que a pasta não deve assumir guarda compartilhada no 4º e 5º distritos. De acordo com a assessoria, não há "nenhum estudo" sobre o assunto e o planejamento estabelecido segue aquele definido pelo decreto 4.999.
O decreto, que ainda não foi assinado, estabelece guardas compartilhadas em várias carceragens de distritos no Paraná. A Seju entraria com mão de obra para cuidar de detentos e a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) ficaria com os trabalhos investigativo e administrativo. Mais de mil agentes de cadeia chegaram a ser contratados por meio de concurso público, porém nenhum foi destinado aos distritos de Londrina.
O Sindipol pode ingressar com recurso judicial caso os investigadores continuem em desvio de função. "Isso é um absurdo total. A Seju não está cumprindo a retirada semanal de 15 presos dos distritos, medida que deixa o sistema superlotado. Há promessa de envio de novos carcereiros, mas se não resolverem iremos fazer um manifesto, quem sabe mobilizar policiais para não aceitarem mais presos. Pensamos até entrar com algum processo para interditar os distritos", disse Batista.
A Sesp, por meio da assessoria, informou que negocia o repasse de agentes de cadeia junto à Seju. No entanto, até ontem não havia prazo estabelecido.

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