Campinas, SP, 19 (AE) - O motorista Jorge Meres e o ladrão de cargas Gilmar Siqueira Leite acusaram hoje os investigadores Lázaro Constância e seu filho Jean de participação no esquema de tráfico de drogas comandado pelo empresário Willian Sozza. Os quatro participaram de uma acareação hoje à tarde na CPI do Narcotráfico em Campinas. Jean foi preso em flagrante 20 minutos depois de iniciar o seu depoimento, por desacato. Até as 19h, Constâncio ainda continuava depondo e a expectativa era de que ele também recebesse voz de prisão.
Durante a acareação, Meres disse que conheceu Constâncio no cassino clandestino do bicheiro Moacir Sarsi, em Campinas. "Ele (Constâncio) avisava quando a polícia iria fazer as batidas", revelou. Segundo Meres, Constâncio também era proprietário de uma garagem em Campinas onde Sozza guardava veículos. O investigador, conhecido como "Lazinho" negou as acusações.
Leite disse que trabalhou como informante para Lazinho e o policial praticava extorsão contra traficantes e queima de arquivo. "Me encare no olho", desafiou o ladrão de cargas. "Você não servia nem para ser informante", rebateu Lazinho.
O ladrão de cargas também acusou o policial de matar traficantes. "Quando a pessoa sabia demais ele (Lazinho) mandava matar", afirmou. "Nunca matei ninguém", garantiu o policial. "Uma vez você matou até o cachorro do traficante", insistiu Leite.
Em 1996 Lazinho foi candidato a vereador pelo PTdoB. O partido, presidido pelo advogado Artur Eugênio Matias, fez coligação com outras cinco siglas, dentre elas o PRTB, que à época era presidido por Sozza. O investigador tem 39 anos de profissão e responde a 45 sindicâncias administrativas e processos criminais. A maior parte das acusações relaciona-se a abuso de autoridade, lesões corporais e homicídios, nos quais as vítimas geralmente eram acusadas de ter resistido a prisão. Em 95 ele chegou a ser condenado pela Justiça a três anos de prisão em regime semi-aberto sob acusação de extorsão.
Na época, o policial defendeu-se dizendo que era responsável pela prisão de pelo menos 40 mil bandidos na região. Por isso, segundo ele, haveria pessoas interessadas em "destruir" sua imagem. O policial, que passou pela Polícia Militar e Força Pública, também serviu aos órgãos de repressão durante a ditadura militar. Até hoje ele estava lotado na 1ª Delegacia de Furtos da capital paulista.

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