São Paulo, 14 (AE) - Os investigadores Maldinei Antônio de Jesus e Miguel Antônio Costa que trabalhavam no 85º Distrito, do Jardim Mirna, zona sul, foram denunciados pela promotora Marcia de Holanda Montenegro, acusados de extorquir R$ 1,3 milhão de Eufrázio Trindade de Souza, um dos autores do roubo de R$ 37,5 milhões do Banespa. A juíza Andrea Brandão Mota, da 29ª Vara Criminal da capital, aceitou a denúncia e decretou a prisão preventiva dos policiais que estão em licença-prêmio.
Segundo a denúncia, para forçar a entrega do dinheiro os policiais e outro homem que seria informante do DP sequestraram os parentes de Souza e exigiram que o ladrão aparecesse e ele entregou-lhes R$ 500 mil. Queriam mais dinheiro e sequestraram outras pessoas da família roubando R$ 800 mil, que estavam enterrados na garagem de uma casa. Como prêmio, o assaltante que era procurado por dezenas de policiais foi liberado por Jesus e Costa.
Quando forem localizados, os dois deverão ser recolhidos ao presídio da Polícia Civil, onde já estiveram presos, e serão ouvidos pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) no inquérito que apura a morte do advogado Fuad Hassud Rassul.
O advogado defendia a família do ladrão do Banespa e fora ele quem apontara os investigadores à corregedoria como responsáveis pelo roubo do dinheiro. Rassul era testemunha importante do Ministério Público contra os policiais Jesus e Costa.
Garagem - Na denúncia, de 68 linhas, a promotora faz um relato de toda a ação dos investigadores para a prática da extorsão. Quando souberam que Souza era um dos autores do roubo milionário ao Banespa, os policiais sequestraram a irmã dele, Naldi de Souza Santos, a filha dela, Cleusa dos Santos, o marido de Cleusa, Everaldo José Gonçalves, e outros parentes do assaltante: Paulo Cesar Gomes dos Santos, sua mulher, Dilza dos Santos Rodrigues, e Janete Alves Soares. Todos foram ameaçados de morte.
No dia 17 de julho, Souza apareceu, entregou R$ 500 mil aos policiais e foi libertado. Os investigadores queriam mais. No dia 24, na casa de Gonçalves, um dos policiais abriu um buraco no chão da garagem, com uma marreta, e pegou R$ 800 mil que estavam em um saco preto de plástico. A promotora, além da denúncia por extorsão mediante sequestro, pediu a quebra do sigilo bancário dos policiais.

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