OXNARD, EUA, 01 (AE-AP) - Investigadores tentando entender o motivo da queda de um avião da Alaska Airlines com 88 pessoas a bordo no Oceano Pacífico informaram nesta terça-feira (01) que recuperaram quatro corpos e têm esperanças de localizar os registros de vôo da aeronave.
Os dados das famosas "caixas pretas" poderiam fornecer importantes pistas sobre a queda do MD-83 na tarde de ontem, inclusive esclarecer se um equipamento que deveria estabilizar o avião foi responsável pelo acidente, informaram autoridades locais.
"Claramente, estas serão as principais descobertas e direções que seguiremos", disse o vice-almirante da Guarda Costeira Tom Collins em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira.
Nenhum sobrevivente foi encontrado.
Os corpos de uma criança, duas mulheres e um homem foram recuperados, segundo ele. Os trabalhos de resgate prosseguirão "até que eu determine a inexistência de sobreviventes", disse Collins.
Enquanto isso, barcos da Guarda Costeira, de navios da Marinha e de uma embarcação particular vasculhavam o mar a 16 quilômetros da costa sul da Califórnia em busca de pedaços do avião que pudessem explicar as causas do acidente.
Ontem à noite, iscas artificiais esbarravam e arrastavam recordações das vidas perdidas: um tênis, um animal empalhado e lembranças do México. O cheiro de combustível pairava no ar.
Restos do MD-80 foram recolhidos de uma área de 40 quilômetros quadrados e acondicionados em 12 caixas. O material será analisado pela Junta Nacional de Segurança em Transportes (NTSB, pelas iniciais em inglês), encarregada de investigar acidentes com meios de transportes em território norte-americano.
O vôo 261 partiu de Puerto Vallarta, México, com destino a Seattle e escala em São Francisco e atingiu a água 64 quilômetros ao noroeste do Aeroporto Internacional de Los Angeles às 16h26 locais de segunda-feira (22h26 em Brasília) em uma cena descrita por uma testemunha como um mergulho de nariz. O céu estava claro no momento do acidente.
Pouco depois de deixar o México, o piloto avisou a torre de controle que tinha problemas no estabilizador e recebeu autorização para fazer um pouso de emergência no Aeroporto Internacional de Los Angeles.
"A tripulação estava desviando o vôo para Los Angeles quando o contato foi perdido", disse o porta-voz da Alaska Airlines Jack Evans.
O avião era um MD-83, construído pela McDonnell Douglas, agora parte da Boeing, disse John Thom, porta-voz da unidade Boeing Douglas. A aeronave foi entregue à Alaska Airlines em 1992, informou Thom.
O vôo 261 mergulhou 5.100 metros antes de desaparecer dos radares, informaram autoridades. O avião caiu em uma região cuja profundidade varia entre 90 e 225 metros.
O piloto acusou problemas com o "ajuste do estabilizador", parte horizontal da cauda do avião, pouco antes da queda. Dificuldades em ajustar o estabilizador horizontal significam problemas em colocar o avião no devido ângulo, seja para cima ou para baixo. Sem o ajuste, a aeronave inicia um mergulho incontrolável.
O avião da Alaska Airlines levava 83 passageiros e cinco tripulantes, disse Jack Evans.
"Hoje nossa nação reza pelos homens e mulheres que estavam a bordo do vôo 261 da Alaska Airlines, assim como por seus familiares e amigos", afirmou, em mensagem especial, o presidente norte-americano, Bill Clinton.
Domingo, um avião da Kenya Airways caiu no Oceano Atlântico pouco depois de decolar de Abidjan, Costa do Marfim. O Airbus 310 transportava 10 tripulantes e 169 passageiros. Pelo menos 10 pessoas sobreviveram.
Em 31 de outubro passado, o vôo 990 da EgyptAir caiu no mar ao sul da costa de Massachusetts. Todas as 217 pessoas a bordo do Boeing 767 morreram.
A Alaska Airlines, cuja marca é um esquimó pintado na parte traseira de seus aviões, possui um excelente registro de segurança. A empresa é uma das mais importantes da costa oeste norte-americana e serve mais de 40 cidade no Alasca, Canadá, México e Estados Unidos. Sua sede é em Seattle.
O acidente de segunda-feira foi o terceiro da história da companhia a resultar em mortes. O primeiro ocorreu em 4 de setembro de 1971, quando um Boeing 727 da empresa se chocou com uma montanha na região de Juneau, no Alasca, causando a morte de 104 passageiros e sete tripulantes.
O outro ocorreu em 5 de abril de 1976, quando outro Boeing 727 ultrapassou os limites da pista do aeroporto de Ketchikan, também no Alasca, ao pousar. Um dos 50 passageiros a bordo morreu de ataque cardíaco.

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