Investigadores negam acusação; advogado é preso durante sessão
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Daniel Gonzales 
São Paulo, 13 (AE) - Os investigadores Marcos Pereira e Alexandre Francisco Ribeiro da Costa, do Departamento de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Depatri), dois dos cinco denunciados ontem à CPI do Narcotráfico por tentativa de extorsão, negaram, em duas tumultuadas acareações, as acusações feitas pelo casal Wagner Penhalves e Ivonete Cristina Raimundo Penhalves de que eles teriam exigido R$ 300 mil para liberar o veículo Mercedes do casal, apreendido por importação irregular, em 98. Como a exigência não foi cumprida, o casal, segundo a denúncia, passou a ser ameaçado de morte e teve um apartamento invadido por um policial, que ameaçou colocar cocaína no veículo para que os dois pudessem ser presos em flagrante. Wagner chegou a ser preso no ano passado.
As discussões entre o casal e os policiais começaram por volta de 0h30 de hoje, e foram marcadas por muito bate-boca e uma detenção. O advogado Fernão Guedes Júnior, que não defende nenhum dos acusados, estava no plenário assistindo aos depoimentos e discutiu com a deputada Laura Carneiro. Ele começou a dizer, alto, que a sessão era um "desrespeito à democracia", por considerar que os deputados não estavam dando chances de defesa aos policiais, já que Wagner tinha a palavra na maior parte do tempo. A deputada retrucou: "eu sou deputada, o senhor não, tenha respeito."
Guedes, que já tinha sido advertido por duas vezes, teve a prisão em flagrante decretada na hora, por desrespeito à comissão. Policiais federais, que fazem a segurança da CPI, invadiram o plenário e levaram o advogado, aos berros, para fora. Uma representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi designada para acompanhá-lo.A sessão permaneceu interrompida por cerca de 10 minutos.
Os policiais se defenderam das denúncias afirmando que Penhalves tem várias passagens pela polícia por estelionato. Proprietário de duas lojas em Ciudad del Este, no Paraguai, ele teria fraudado cartões de crédito, já que na casa do advogado foi encontrado um notebook com a numeração de vários cartões com notas de compra apenas em suas empresas. "Esse senhor se diz empresário mas não é", disse Pereira, que já havia sido denunciado pela manhã, pela testemunha-chave Laércio da Cunha, que o acusou de fazer parte de um esquema de desvio de cargas apreendidas, tráfico de drogas e liberação irregular de presos, no Depatri. "Não sou eu quem estou sendo apontado como traficante", retrucou Penhalves.
O Depatri deve ser intimado para que apresente fotos da equipe do delegado Edson Soares, da qual os dois investigadores fazem parte, para que o denunciante tente identificar quem seriam os outros policiais envolvidos no achaque. Os investigadores Renato Lopes Apolinário e Adriano Jorge Matos, e o delegado Rubens Nunes Paes, de Praia Grande (SP), para onde o casal mudou depois das ameaças, também foram citados por tentativa de extorsão e estão sendo investigados pela Corregedoria da Polícia Civil.


