Investigações sobre socorro do BC estão paradas no Rio
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de maio de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 11 (AE) - No Rio, o trabalho de investigação sobre o socorro do Banco Central (BC) aos Bancos Marka e FonteCindam está paralisado, mais de duas semanas após a decisão do Ministério Público (MPF) e da Polícia Federal (PF) de transferi-lo de Brasília para a capital fluminense.
O delegado que chefia o trabalho, Luiz Pontel, da Divisão de Crime Organizado e Inquéritos Especiais, permanece trabalhando no Distrito Federal, apesar de haver no Rio testemunhas a ser inquiridas e diligências a ser feitas. Extra-oficialmente, sabe-se que procuradores da República começam a estranhar a demora.
O inquérito foi aberto em Brasília, mas o MPF e a PF decidiram o tranferir para o Rio porque lá ficam as sedes dos bancos privados investigados no caso. Até então, as ações policiais no Rio foram feitas para cumprir determinações do inquérito que corria no Distrito Federal. Com a transferência, as investigações poderiam ser aprofundadas, e o MPF no Rio poderia atuar com mais facilidade.
Oficialmente, porém, os procuradores que acompanham o caso se recusam a comentar a demora. Em ocasiões anteriores, diplomaticamente, elogiaram a PF.
Entre os policiais federais do Rio, o ambiente ainda é de expectativa. Paradoxalmente, desde a decisão de transferir o inquérito para o Rio, a PF nada mais fez no Estado com relação à investigação, uma vez que os federais do Rio dependem da volta de Pontel para novas diligências. Há uma semana, anuncia-se quase todo dia a ida de Pontel, que é lotado em Brasília, ao Rio
possivelmente com o inquérito - notícia que tem sido sempre desmentida. Há também dificuldades de comunicação entre Pontel, que tem ouvido testemunhas, e o delegado Deuler Rocha, da Delegacia de Crime Organizado e Inquéritos Especiais, responsável pelo caso no Rio.
Integrantes da PF fluminense comentam haver dois caminhos que a investigação pode tomar. Um, aparentemente, é o de Pontel: tocar o trabalho com rapidez. O outro seria fazer uma apuração um pouco mais demorada, com base em interrogatórios de testemunhas, após os laudos de perícias do Instituto Nacional de Criminalística, para inquirições mais técnicas. Um dado a ser considerado é que o ministro da Justiça, Renan Calheiros, a quem a PF é subordinada, resistiu à atuação da corporação do Rio nas apreensões de documentos no Marka, no FonteCindam e nas residências dos banqueiros Salvatore Alberto Cacciola e Luiz Antônio Gonçalves e do ex-presidente do BC Francisco Lopes.


