Rio, 15 (AE) - O corregedor-geral da Polícia Civil do Rio, Roberto Gomes, admitiu hoje, durante uma audiência pública realizada na Assembléia Legislativa, a precariedade das investigações realizadas no interior do Estado sobre a denúncia de prática de tortura em delegacias. No fim da sessão, o delegado decidiu marcar para amanhã (16) o reconhecimento oficial do suspeito de ter agredido, em abril, o pastor evangélico Luiz Cláudio Freitas Nascimento, durante interrogatório realizado na Delegacia de São Fidélis, no norte do Estado.
O pastor acusa o detetive Aloísio Russo Júnior pelo crime, que, segundo ele, teria ocorrido na presença do delegado Paulo Gil da Rocha Prata, que nada teria feito para impedir a agressão. A acareação entre os dois deverá ocorrer ao meio-dia, numa sala especial da Corregedoria da Polícia. Está prevista a presença de representantes de grupos de defesa dos direitos humanos e parlamentares. Segundo dados apresentados pelo próprio corregedor, estão sendo investigadas pelo órgão apenas oito das 53 denúncias de tortura em delegacias levantadas por três comissões de deputados formadas para apurar a questão. Depoimentos - O pastor evangélico, que está recebendo proteção policial, foi a primeira suposta vítima a depor na Alerj. Ele afirmou que passou a sofrer ameaças de morte depois da denúncia, o que estaria ocorrendo também em relação aos integrantes de sua família. De acordo com o corregedor-geral, a sindicância sumária que apura o caso depende apenas do reconhecimento oficial do principal agressor para a instalação de processo disciplinar. "Tudo indica que realmente tenha sido ele" afirmou, referindo-se ao detetive Russo.
Gomes disse também que vai permitir o acompanhamento dos inquéritos que apuram supostos crimes de policiais civis por integrantes da comissões de Cidadania e Direitos Humanos, de Combate à Impunidade e de Saúde da Alerj. "Nosso objetivo é resolver", garantiu. A diretora do Grupo Tortura Nunca Mais, Flora Abreu, considerou satisfatório o resultado da reunião. "Existe uma cultura da violência, do abuso de poder, que leva tempo para ser modificada".
A dona-de-casa Ermelyn Marques da Silva chorou ao fim da audiência pedindo punição para os culpados pela morte de seu sobrinho, Rodrigo, de 16 anos, assassinado em maio com um tiro na nuca no Morro da Coroa, onde morava. "Na época, o secretário da Segurança (Josias Quintal) deu um prazo de 15 dias para solucionar o crime, mas até hoje nada aconteceu".

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