Investigações sob sigilo absoluto
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sábado, 18 de janeiro de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - Sigilo absoluto na condução das investigações. Esta determinação, baixada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Riad Braga Farhat, desde o início de sua gestão em julho, tem o objetivo de impedir vazamentos de informações que possam atrapalhar o andamento das investigações, principalmente de casos de maior repercussão. "Sou bem rigoroso com isso. Vazamento de informações sempre atrapalha as investigações", ressalta.
Riad Farhat recebeu a reportagem da FOLHA para tratar de diversos assuntos, entre eles a estrutura da Polícia Civil, a redução do número de homicídios no Estado e também de casos de repercussão, como o assassinato da adolescente Tayná Adriane da Silva, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba).
A rigidez quanto ao controle para evitar que informações sobre investigações vazem é explicada pela morte da jovem. Neste caso, o vazamento de detalhes sobre exames de DNA ocasionou uma série de reviravoltas. O trabalho inicial de investigação foi posto em xeque por um laudo pericial da Polícia Científica apontando que o sêmen encontrado na calcinha da jovem não batia com o DNA de nenhum dos quatro suspeitos detidos. O resultado do laudo foi divulgado antes mesmo de ser encaminhado para o Ministério Público do Paraná (MPPR), que já estava com o inquérito do caso. A consequência foi a libertação dos suspeitos e a prisão de policiais, que teriam obtido a confissão do quarteto por meio de tortura.
Farhat citou o exemplo do tempo em que era delegado do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), unidade de elite da Polícia Civil. Ele lembra que nunca permitiu, nem durante ou depois de um sequestro, que a imprensa soubesse como a polícia agiu para encontrar os marginais. Declarou ainda que repassava somente informações básicas, como o tempo que a vítima passou no cativeiro e o valor pedido de resgate, mas nada além disso. "Se me perguntavam como a gente chegou até o local, sempre dizia que foi por meio de denúncia anônima. E você vai ver que a polícia vai falar muito isso aqui na minha gestão. Não vamos ensinar os marginais, que também leem jornais e assistem televisão, como a polícia chega a elucidar os crimes", pondera.
Em relação às denúncias de tortura contra os suspeitos do caso Tayná, ocorridas em julho do ano passado, Farhat adiantou apenas que os policiais seguem afastados e que uma série de laudos periciais e depoimentos estão sendo analisados pela Corregedoria do órgão, juntamente com o Ministério Público. "Aguardamos para que se chegue numa conclusão, e quem cometeu qualquer desvio vai pagar por isso."
Efetivo
O efetivo defasado é um dos principais problemas da Polícia Civil. Segundo o delegado geral, atualmente 43 comarcas do Paraná estão sem delegados. No entanto, a expectativa é que pelo menos 26 vagas sejam preenchidas (número que pode ser ampliado) ainda no primeiro semestre de 2014, após os aprovados em concurso promovido recentemente passarem pela Escola Superior da Polícia Civil. "É inaceitável porque são cidades onde há juiz, promotor, mas não tem delegado. É ruim para a população, ruim para nossa instituição porque pesa contra ela. Esperamos resolver esta situação nos próximos meses", declara.


