Investigações reforçam suspeitas de incêndio criminoso no BEG
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por João Unes (especial para a AE) 
Goiânia, 13 (AE) - Os primeiros levantamentos da Polícia Técnico-Científica de Goiás descartam a hipótese de curto-circuito e reforçam as suspeitas de que o incêndio no arquivo-geral do Banco do Estado de Goiás (BEG), ocorrido na madrugada de sábado (10), no centro de Goiânia, foi provocado. Para descartar a hipótese de curto-circuito ou combustão espontânea, os peritos comprovaram o bom estado da fiação elétrica do prédio e o isolamento adequado do sistema, segundo a chefe da Polícia Técnico-Ciêntífica, Gracyelene Dorivê Silva.
Ela informa que a polícia tem dez dias para concluir o laudo do incêndio, mas acredita que os trabalhos vão terminar antes do prazo.
Segundo a direção do BEG, as labaredas consumiram pelo menos 1 milhão de documentos, entre cheques, cadastro de clientes, ordens de pagamento, DOCs, fichas de movimentação bancária e guias de depósito. Os diretores da insituição descartam a vinculação do incêndio com os escândalos da administração do PMDB, que agitam a cidade.
A polícia investiga também os sensores da empresa de segurança Graham Bell, responsável pelo prédio. O alarme da empresa soou por volta da 1 hora de sábado e, imediatamente, um carro da segurança foi até o local, mas nada constatou. Uma hora depois, chegava o Corpo de Bombeiros, atendendo a chamadas de vizinhos. Os peritos querem saber se o alarme foi ativado por causa das chamas ou pela presença do suspeito responsável pelo incêndio no interior do arquivo-geral, uma vez que, à noite, ninguém trabalha no local.
Quando os bombeiros chegaram ao prédio, o fogo havia alastrado-se por caixas de papéis com documentos. Uma parte do teto, feita de alumínio, despencou. Foram necessários 60 homens e quatro horas de trabalho para controlar o incêndio, o que ocorreu por volta das 6h30.
A direção do BEG informa que possui arquivos de segurança de todos os documentos, conforme exige a legislação. Como teria tudo em microfilmes e gravações magnéticas, os diretores acreditam que o incêndio "não traz nenhum prejuízo ao banco". Segundo o BEG, foram queimadas algumas folhas de pagamento do próprio banco, mas passíveis de reconstituição por meio dos arquivos magnéticos. A diretoria informou que os cheques queimados no arquivo-geral haviam sido pagos e aguardavam apenas o prazo para ser incinerados. O material seria datado de 1989, consistindo num arquivo morto.
O episódio agitou partidários do governador Marconi Perillo (PSDB-GO), que trabalham com a hipótese de incêndio criminoso para destruição de documentos que envolvem políticos. O líder do governo na Assembléia Legislativa, Samuel Almeida (PSDB), afirmou ser lamentável que os envolvidos em escândalos cheguem a ponto de "atear fogo" na tentativa de escapar da Justiça.


