Investigações no Maranhão causam 26 prisões
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de novembro de 1999
por Félix Alberto Lima, especial para a Agência Estado 
São Luís, 13,(AE) - As investigações sobre o crime organizado no Maranhão já resultaram em 26 prisões, entre assaltantes, policiais, delegados de polícia, prefeito e ex-deputado. O gerente de Justiça e Segurança Pública do Estado, delegado Raimundo Cutrim, que está coordenando as investigações, tem ainda mais 14 mandados de prisão para cumprir e diz que espera concluir o inquérito policial "o mais rápido possível". Estão cumprindo prisões temporárias ou preventivas o prefeito Aveny Pacheco de Andrade, de Amapá do Maranhão, o ex-deputado Hemetério Weba (sem partido), os delegados Luís Moura e Almir Macedo e mais sete policiais e 15 assaltantes e pistoleiros.
O delegado Paulo Roberto Carvalho, que havia sido preso ontem à tarde sob a acusação de falso testemunho no depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, foi liberado hoje após pagamento de fiança.
Os primeiros indícios da existência de uma organização criminosa no Estado são de 1995, quando a polícia localizou uma carreta com carga roubada na garagem da casa do deputado estadual Francisco Caíca (PSD).
A casa era de propriedade do empresário Joaquim Laurixto e estava cedida para o deputado estadual José Gerardo de Abreu (PPB), que a emprestou para Caíca. O delegado Stênio Mendonça, responsável pela investigação do roubo da carreta, foi assassinado dois anos depois por pistoleiros comandados por Humberto Gomes de Oliveira, o Bel. Os pistoleiros foram presos e
12 dias depois, também foram assassinados numa suposta operação de queima de arquivo.
Joaquim Laurixto chegou a ser preso por suspeita de envolvimento na morte do delegado, mas foi beneficiado pelo habeas corpus assinado, na madrugada do mesmo dia da prisão, pelo juiz Luís de França Belchior.Laurixto voltou a ser indiciado pela polícia, mas encontra-se foragido há dois anos.
Denúncia - As primeiras denúncias de haver uma conexão entre a morte do delegado Mendonça e o narcotráfico comandado pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido), do Acre, foram feitas pelo motorista e segurança Jorge Meres, preso em maio deste ano no interior do Maranhão por roubo de carga. Meres era o motorista da carreta encontrada há quatro anos na casa do deputado Caíca.
Meres entregou à polícia um desenho em forma de organograma mostrando como age o crime organizado no Maranhão e os nomes dos principais envolvidos, entre deputados, juizes, prefeitos, delegados e policiais.
O motorista apontou o deputado Gerardo como o líder da organização no Estado, auxiliado pelo deputado Caíca e pelo ex-deputado Hemetério Weba. O inquérito policial foi instaurado para investigar as denúncias e a Gerência de Justiça e Segurança Pública tem atualmente 16 delegados trabalhando nas investigações. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado foi instalada há 40 dias pela Assembléia Legislativa.
O gerente Cutrim explica que vários inquéritos foram instaurados e que as investigações estão acontecendo paralelamente. "Existe um inquérito maior que está reunindo as informações de todos os outros." Segundo ele, tão logo a Assembléia Legislativa casse o mandato de Gerardo - a votação deve acontecer esta semana - a ordem de prisão ao deputado será imediata.


