Investigações ficam paradas
Investigações ficam paradas
Agência Estado
Arquivo FolhaAçãoComida é retirada de caminhões. Polícia alega que não tem estrutura para evitar os saquesApesar do aumento de saques no Nordeste e dos frequentes anúncios do ministro da Justiça, Renan Calheiros, de que o governo está agindo contra esses ataques, pouca coisa tem sido feita. Até ontem, a Polícia Federal não tinha iniciado as investigações sobre o saque ao depósito da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Afogados da Ingazeira (PE), em abril. O município foi o primeiro do Nordeste a ser atacado por flagelados. As únicas prisões por saques a estabelecimentos do governo aconteceram em Juazeiro (BA).
Quando se reuniu com secretários de Segurança, superintendentes da PF e da Polícia Rodoviária Federal do Nordeste, no dia 9, Calheiros divulgou uma relação com 17 nomes de pessoas que seriam indiciadas. Nenhuma delas chegou a ser presa ou mesmo indiciada, com exceção de João Pedro Stédile, que teve seu pedido de prisão preventiva negado pela Justiça do Rio de Janeiro. Algumas das pessoas citadas pelo ministro - como o líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) na região, Jaime Amorim - continuaram apoiando os saques.
O saque a cinco caminhões na madrugada de quinta-feira em Orocó (PE) foi presenciado por quatro patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que nada puderam fazer para deter os 400 sem-terra. No início do mês, a Polícia Rodoviária foi solicitada para escoltar um comboio de caminhões que levariam para o Nordeste alimentos doados pela Igreja Universal.
Na ocasião, os patrulheiros reclamavam que o custo do deslocamento seria superior ao gasto que o governo teria se transportasse as doações por aviões da Força Aérea Brasileira. Segundo um inspetor que participou da operação, a atitude do governo foi política, já que estava atendendo a um pedido da bancada de pastores evangélicos no Congresso.
Ontem Calheiros esteve com o presidente em exercício, senador Antônio Carlos Magalhães, com quem conversou sobre a atuação do MST no Vale do São Francisco, em Pernambuco.





