Investigação não é secreta, diz Arruda
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Adriana Fernandes e Cláudio Gradilone 
Brasília, 29 (AE) - O presidente interino da CPI dos Bancos
José Roberto Arruda (PSDB-DF), disse hoje que não havia razão para que os documentos enviados pela Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) permanecessem em sigilo. Segundo ele, só as informações que tiverem sigilo judicial não serão divulgadas. "Não estamos fazendo uma investigação secreta", alegou o senador.
De acordo com Arruda, os dados da BM&F divulgados na quarta-feira são públicos. Ele informou que dados sigilosos da BM&F ainda serão encaminhados à CPI. Segundo ele, os dados se referem a nomes de pessoas físicas e estão vinculados a fundos.
Pormenores - Muitos fundos de investimentos constam do relatório enviado pela BM&F à CPI. O relatório é bastante completo: cada fundo tem uma ou mais páginas detalhando todas as operações em janeiro. O relatório informa a data da operação, o ativo - contratos futuros de dólar ou opções de compra ou venda de dólares -, a corretora e membro de compensação que intermediaram o negócio, a identificação do cliente e o número do negócio registrado na câmara de compensação (clearing) da BM&F.
Além da identificação dos intermediários, o relatório indica a quantidade negociada, se a operação era de compra ou venda, e o preço da transação. Alguns fundos e bancos, especialmente os mais ativos no mercado futuro, chegam a ter dez páginas de operações detalhadas. Os dados são tão precisos que mostram como cada cliente está registrado em cada corretora. Os maiores participantes do mercado costumam realizar suas operações por meio de várias corretoras para não tornar evidente sua estratégia.
Todas as operações na BM&F têm de ser realizadas por meio das corretoras de mercadorias e dos membros de compensação. As corretoras representam os clientes e os membros de compensação são os responsáveis, perante a BM&F, pela liquidação dos negócios realizados no pregão ou nos sistemas eletrônicos de compensação.


