Investigação do escândalo da máfia dos fiscais completa seis meses
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quarta-feira, 02 de junho de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 03 (AE) - Ontem (02), completou seis meses que o fiscal Marco Antonio Zeppini, que trabalhava na Administração Regional de Pinheiros, foi preso em flagrante após tentar extorquir a comerciante Soraia Patrícia da Silva, dona de uma academia de ginástica na região dos Jardins. A prisão deflagrou uma série de investigações na administração municipal, que mobilizou o Ministério Público Estadual (MPE), a Polícia Civil e a Câmara Municipal.
Até o momento, 90 funcionários da administração municipal foram afastados de suas funções e mais de 50 pessoas foram indiciadas pela polícia, entre elas o ex-secretário das Administrações Regionais Alfredo Mário Savelli.
As investigações avançaram e chegaram à Câmara. Descobriu-se que, além do benefício político, os vereadores que controlavam as administrações regionais, preciosa moeda política nas relações entre o Executivo e o Legislativo, eram beneficiários de um forte esquema de corrupção. Até o momento, três parlamentares - Vicente Viscome (sem partido), José Izar (PFL) e Maeli Vergniano (sem partido) - foram indiciados e correm o risco de perder o mandato. Viscome permanece preso.
Assim que o fiscal Zeppini foi detido, o Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do MPE, começou a investigar a regional de Pinheiros. O caso cresceu e, em janeiro, dois delegados da Polícia Civil foram deslocados para formar a chamada força-tarefa das investigações, com os promotores. A cidade foi dividida e as investigações da polícia começaram.
Penha - As primeiras prisões ocorreram em 25 de janeiro. Três fiscais da Administração Regional da Penha foram presos pela polícia. Foi revelado um esquema de extorsão sobre ambulantes da região.
O esquema, segundo os delegados, é semelhante em todas as regionais investigadas. Fiscais cobram propinas de ambulantes e empresários para evitar multas ou apreensões. No caso das construções, a extorsão era facilitada pela complicada legislação sobre o uso do solo.
"A legislação complicada facilita a atuação dos corruptos", diz o delegado Naief Saad Neto, que conduz parte dos inquéritos que investigam as administrações regionais. Como em um efeito-dominó, a polícia e o MPE chegaram a outros órgãos municipais, como a Anhembi Eventos e Turismo e o Plano de Atendimento à Saúde (PAS), cujos módulos também são controlados por vereadores.
"Suspeito que a corrupção no PAS seja muito maior do que nas regionais", acredita o vereador e presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, José Eduardo Martins Cardozo (PT). Na Anhembi, as investigações recaem sobre a lista de funcionários, muitos deles suspeitos de ser fantasmas. O delegado Itagiba Franco, que investiga a Anhembi, suspeita principalmente de parentes de políticos empregados no órgão. "Muitos não souberam explicar direito o que faziam no trabalho."
No dia 22 de abril, o fiscal Zeppini foi condenado pela Justiça a 5 anos de prisão. Além de ter sido o primeiro detido, foi o primeiro condenado no escândalo da máfia dos fiscais. "Espero que seja a primeira de muitas condenações", acredita o promotor José Carlos Blat.


