Investigação de sequestro é de competência exclusiva do DAS, determina secretário
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domingo, 03 de outubro de 1999
Por Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio, 04 (AE) - O secretário de Segurança Pública do Rio, Josias Quintal, deve assinar, ainda esta semana, ato determinando exclusividade da Divisão Anti-Sequestro (DAS) nas investigações de crimes de sequestros. A decisão decorre da crise deflagrada na semana passada quando o diretor da DAS, delegado Fernando Moraes, acusou o comandante do 3º Batalhão da Polícia Militar, Pedro Patrício, e o delegado Arquimedes Azevedo
de serem os responsáveis pela morte, na quinta-feira, do empresário Robert ávila de Souza, após quatro dias de sequestro. Quintal anunciou a decisão depois de uma reunião a portas fechadas durante toda a manhã de hoje entre Moraes, o comandante do 3º BPM e o delegado Azevedo.
Ao final da reunião, o discurso dos três policiais era de "fortalecimento" das polícias. "O episódio já está superado; toda a discussão aconteceu por causa do forte impacto emocional com a perda de uma vida", disse Quintal. O secretário reviu também a exoneração do comandante Pedro Patrício, publicada no Boletim da Polícia Militar. Patrício disse que mandou policiais do Serviço Reservado à casa da família de Souza por "solidariedade", já que ele é amigo dos familiares. "Se o coronel ou o delegado Azevedo fossem exonerados, eu colocaria meu cargo à disposição", afirmou Moraes, que fez duras críticas ao colegas no fim de semana.
Robert ávila de Souza foi sequestrado na segunda-feira, mas a DAS só foi comunicada do crime no dia seguinte. Na quarta-feira, a equipe da divisão já havia identificado a quadrilha que sequestara o rapaz, mas a atuação paralela do serviço reservado da PM e a divulgação, pelo delegado Azevedo, de detalhes da negociação - como o valor do resgate exigido, R$ 200 mil - teriam levado os criminosos a assassinar o empresário, segundo Moraes. No sábado, quatro sequestradores foram presos e um deles, o soldado do Corpo de Bombeiros Wálter José Ferreria Júnior, confessou ter matado o empresário com 12 tiros.
Suspeitas - Hoje, Moraes descartou a hipótese, levantada pela família do empresário de ele ter sido assassinado por estar investigando supostas irregularidades em licitações da Petrobrás
para quem vendia equipamentos. "Ele foi morto por ter visto o rosto do traficante Odair Nonato, o Dauê, e pelo sequestro ter sido muito divulgado", disse o diretor.


