Brasília, 28 (AE) - O diretor-geral da empresa armadora Hamburg Sud, Julian Thomas, disse hoje que apóia o interesse do governo brasileiro em investigar as razões dos altos custos de movimentação nos portos. O armador, no entanto, afirmou que o maior problema hoje não se trata de cartelização, e sim de necessidade de se aplicar a Lei dos Portos e resolver o problemas sindicais, principalmente no Porto de Santos. Na semana passada, a Secretaria do Direito Econômico (SDE) instaurou inquérito administrativo para investigar a cartelização nos portos.
"O custo do Porto de Santos é para nós um dos maiores do Brasil e isto não tem lógica", disse Thomas, "pois é o porto de maior movimentação de cargas". A Hamburg Sud e a Aliança são empresas do grupo alemão Oetker e juntas controlam cerca de 12% do mercado brasileiro de armação. Apesar de achar boa a iniciativa do governo em investigar o custo dos portos, o armador não acredita que o problema se trate de cartelização entre as empresas arrendatárias. Thomas acha que é grande o número de empresas que trabalham na movimentação dos portos. Segundo ele, os preços são cobrados em reais e não há cobrança de taxas "ilegais" nos portos, de acordo com denúncia que a Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados encaminhou à SDE.
Julian Thomas acredita que os portos brasileiros ficam caros a partir dos valores que as empresas são obrigadas a pagar principalmente aos estivadores. "O maior problema é a negociação com a estiva", disse, "onde se gasta o triplo de homens necessários para executar um serviço". O armador disse que este problema terá de ser enfrentado, se o Brasil quiser reduzir os custos dos portos e aumentar suas exportações. Além da estiva, Thomas disse que o Brasil precisa reduzir "o custo da burocracia" nos portos. O armador disse que algumas empresas exportadoras de São Paulo preferem exportar suas mercadorias em portos de outros estados, devido ao preço alto. Thomas afirmou que esta tendência tem sido estudada a fundo pelos armadores. O empresário, no entanto, acha que esta tendência tem de ser revertida, com o barateamento dos portos.

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