Investigação da PF revela que pelo menos dez médicos do HC recebiam sem trabalhar
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quinta-feira, 21 de maio de 2015
Mariana Franco Ramos <br>Reportagem Local 
Curitiba - Pelo menos dez médicos concursados do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) recebiam salários sem exercer suas funções. A informação foi divulgada ontem pela Polícia Federal (PF), que desencadeou a operação São Lucas, para investigar o esquema. O nome é uma referência ao padroeiro da Medicina. Segundo o delegado de repressão a crimes financeiros, Maurício Todeschini, os "fantasmas" cumpriam, em média, 7% da carga horária determinada em seus contratos, de 20 ou 40 horas semanais. Ainda assim, tinham vencimentos fixados entre R$ 4 mil e R$ 20 mil.
"Há casos de médicos que simplesmente não apareciam ou que compareciam dois dias por mês, mas ficavam só alguns minutos. A prática era de notório conhecimento no HC", afirmou. De acordo com a PF, os profissionais fraudavam as folhas-ponto, preenchidas manualmente. Já o trabalho ficava a cargo dos residentes. "São frequentes as notícias sobre as dificuldades pelas quais passa o HC. Mas muitas vezes fica claro que se trata de má gestão", completou o delegado de combate a crimes organizados, Igor Romário de Paula.
A corporação não revelou as identidades dos acusados, alegando que as investigações continuam. No entanto, confirmou que a lista inclui "personalidades de destaque" no Estado, como professores e donos de clínicas e hospitais. Os setores onde ocorriam as fraudes eram ultrassonografia, radioterapia, clínica médica, transplante de medula óssea, nefrologia, cirurgia cardiotorácica, serviço de reprodução humana, radiologia e ginecologia. Com isso, a fila de espera por uma operação cardíaca na unidade já estaria em 1.364 dias.
BAIXA PRODUTIVIDADE
O chefe da Controladoria Geral da União (CGU) no Paraná, Moacir Rodrigues de Oliveira, contou que o órgão começou a apurar as irregularidades no segundo semestre de 2013, após receber indícios de que havia baixa produtividade no HC. Nesta primeira etapa, a CGU pegou como amostragem os dez casos mais evidentes, no período que se inicia em 2010. Entre os denunciados há profissionais com até 25 anos de contrato. "Verificamos que o custo fixo do hospital era muito alto e que a maior parte dizia respeito a gastos com pessoal", explicou.
A partir de então, foi feito um pente-fino, considerando os horários de entrada no HC, o Sistema de Informações Hospitalares (SIH), os dados relativos às empresas de propriedade dos suspeitos e os depoimentos de funcionários do hospital. Os envolvidos serão indiciados pelos crimes de estelionato qualificado, falsidade ideológica, prevaricação e abandono da função pública.
Por meio de nota, a superintendência do HC disse que, entendendo o seu "compromisso social", "apoia incondicionalmente os órgãos de controle em suas ações". Conforme o documento, desde o início da atual gestão a direção do complexo tem agido com firmeza na correção de irregularidades encontradas. Entre as ações corretivas estariam o início de um processo de implantação de registro eletrônico de ponto, o controle dos plantões remunerados por meio de biometria e a publicação das escalas de trabalho dos profissionais no site do hospital.


