Investigação começou em abril
São Paulo, 30 (AE) - As investigações sobre a vereadora Maeli Vergniano (sem partido) foram iniciadas após revelações feitas pelo jornal "O Estado de S. Paulo" na edição de 18 de abril. A reportagem obteve provas de que Maeli utilizava um carro e o motorista que a empresa Vega Engenharia Ambiental cedeu à Administração Regional de Pirituba, comandada politicamente pela vereadora.
O Fiat Uno, placa CGX-9233, emprestado pela Vega, era usado por Elizeu Sanches, lotado no gabinete de Maeli na Câmara de 9 de janeiro de 1997 até 11 de março deste ano. Nesse período
Sanches foi motorista de Maeli e usava o carro, que deveria estar à disposição da AR-Pirituba, para serviços particulares da vereadora, como levar e buscar seus filhos no Colégio Dante Alighieri, nos Jardins. A ficha de controle da Câmara mostra que o carro da Vega pernoitou na garagem da Casa em diversas ocasiões, a pedido da vereadora.
Chofer particular - O motorista Antônio Rodrigues, funcionário da Vega, admitiu que prestava serviços particulares para a vereadora. Ele foi flagrado pelo repórter Uilson Paiva levando os três filhos de Maeli ao Colégio Dante Alighieri. Dirigia o veículo Daewoo, de placa CFP-4443. Depois disso, Toninho, como Rodrigues é conhecido, foi fotografado no gabinete da parlamentar, na Câmara.
O Estado revelou também irregularidades no gabinete da vereadora, como a admissão de fantasmas. A cozinheira Maria Rodrigues, que trabalha na casa de Maeli, recebia R$ 2.423,00 como funcionária da Câmara. Sua cunhada, Dorcas Magliarelli , lecionava em Botucatu, mas recebia cerca de R$ 7 mil como chefe de gabinete. O marido de Maeli, Josué Magliarelli, funcionário da Prefeitura, era o responsável até março pela fiscalização dos serviços prestados pela Vega na AR-Pirituba.
Na avaliação dos integrantes da Comissão Processante, que analisaram o pedido de cassação, as denúncias apontam para enriquecimento ilícito derivado de esquemas de arrecadação de propina na regional e peculato - apropriação indébita de bens públicos praticada por funcionários públicos.





