Investigação chega à AR Jaçanã-Tremembé
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quinta-feira, 04 de março de 1999
Por Natalie Antar, especial para a AE 
São Paulo, 05 (AE) - Mais uma administração regional de São Paulo está sendo investigada no caso da máfia dos fiscais. Com base em documentos referentes à movimentação de caixa da cooperativa habitacional Labitare, no qual aparecem os nomes de fiscais da Administração Regional Jaçanã-Tremembé e os de dois ex-assessores do líder do PPB na Câmara, Cosme Lopes, foram presos hoje à tarde Marcos José Gomes, chefe da Labitare, e Lady Jane Urbano da Silva, secretária da cooperativa.
Os documentos mostram que a cooperativa destinava dinheiro a funcionários da regional e a Carlos Roberto Machado e Wilson. Na época do registro, ambos trabalhavam como assessores do vereador Cosme Lopes, que controla politicamente a regional .A Labitare é suspeita de promover um esquema de venda de lotes irregulares na Serra da Cantareira e no Tremembé, na zona norte de São Paulo. Gomes também coordena outras três cooperativas habitacionais: Brasil Novo, Novo Mundo e Vila Rica.
Fitas - O coordenador da Ação Local da Rua General Carneiro, que faz parte do Viva o Centro, Lúcio Santos, foi afastado na manhã de hoje do cargo, após prestar depoimento à polícia, no fim da noite de ontem (04). Ele entregou ao delegado Romeu Tuma Júnior seis fitas de vídeo de várias reuniões da entidade. Mas até o fim da tarde a polícia não havia assistido ao material.
O ex-administrador da Sé João Bento e o então secretário das Administrações Regionais, Alfredo Mário Savelli, atual secretário de Vias Públicas e Serviços e Obras, estavam em vários encontros.
A ex-coordenadora-geral de cadastros de ambulantes da SAR, Sandra Maria Monte, acusou Santos de ceder um espaço de seu escritório para a W. Sita, empresa que fornecia as barracas aos ambulantes. Santos negou envolvimento com a máfia dos fiscais, dizendo que estaria infiltrado para levantar o "esquema".
Esquema - - Por volta das 16 horas de hoje a assessora do vereador Vicente Viscome (PPB) Tânia de Paulo, que é acusada de cobrar propina de camelôs e comerciantes da região da Administração Regional da Penha, chegou à Divisão de Registros Diversos (DRD) para prestar depoimento. Segundo a polícia, houve declarações reveladoras, nas quais ela conta com detalhes todo o esquema de corrupção, que, por enquanto, não podem ser divulgadas.
O delegado Tuma Júnior, diretor da Divisão de Capturas da Polícia Civil, encaminhou na manhã de hoje ao Departamento de Inquérito Policiais (Dipo) o inquérito referente ao esquema de cobrança de propinas da Administração Regional da Sé. O presidente da Associação dos Comerciantes do Brás, Whebe Youssef Dawalibi, o Jô, foi indiciado indiretamente, pois não compareceu à delegacia para depor e está foragido, por concussão e formação de quadrilha.
De acordo com o delegado, as investigações continuam e, se houver novos indiciamentos, será enviado um complemento ao Dipo, que vai encaminhar o inquérito ao Ministério Público e, depois, à Justiça.
Carta - O advogado de Jô, Flávio Borges DUrso, esteve hoje na Divisão de Registros Diversos e disse que seu cliente não se apresentou à polícia porque estaria sendo ameaçado de morte. Ele apresentou ao delegado Tuma Júnior uma carta com ameaças de agressão física e também de atear fogo em suas lojas no Brás.


