Investigação busca relacionar auditor fiscal a fotógrafo
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sábado, 31 de janeiro de 2015
Viviani Costa<br> Reportagem Local 
Londrina Duas adolescentes com mais de 14 anos estiveram na sede do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para prestar depoimento na investigação que apura possíveis casos de exploração sexual relacionados ao auditor da Receita Estadual Luiz Antônio de Souza e ao fotógrafo e ex-assessor do Governo do Estado Marcelo Caramori.
Conforme a promotora Caroline Esteves, uma das meninas revelou que praticou relações sexuais mediante pagamento com os dois investigados em ocasiões diferentes e até descreveu a casa do fotógrafo onde teria ocorrido o programa. A outra adolescente contou que participou de um encontro com o auditor Luiz Antônio de Souza. Elas detalharam os encontros, mas o caso corre sob sigilo.
Segundo a promotora, outras quatro vítimas teriam saído com os dois suspeitos, o que motivou o pedido de prisão do fotógrafo. Além dessas, duas adolescentes, uma de 15 anos e outra de 13, contaram que tiveram relações sexuais apenas com o auditor. "A cada depoimento, novas vítimas vão aparecendo e todos os relatos delas e das agenciadoras são sempre no mesmo sentido: um confirma o outro", apontou a promotora. No total, oito meninas já foram ouvidas pelo Gaeco e pelo Ministério Público.
A investigação aponta que os dois suspeitos teriam aliciado garotas e solicitado a elas que apresentassem amigas para fomentar a exploração sexual. Conforme o MP, os valores pagos pelos programas variavam entre R$ 300 e R$ 2 mil. Uma porcentagem era paga às meninas que indicavam as amigas. "Caramori atraía essas meninas, acabava explorando sexualmente as vítimas com a prática de ato sexual mediante pagamento, mas fazia isso para ele. Não há indícios de que ele seria um agenciador. Ele se valia de agenciadoras para atrair as meninas", revelou Caroline.
Por enquanto, não há uma ligação direta entre as ações de Luiz Antônio de Souza e Marcelo Caramori. "Os dois se valiam das mesmas agenciadoras e, por consequência, praticaram esses atos com as mesmas vítimas", afirmou a promotora. Além da jovem Carla de Jesus, de 19 anos, outras duas jovens com mais de 18 anos teriam agenciado as meninas para os investigados. Computadores, celulares e outros objetos apreendidos serão periciados. As meninas também passarão por exames médicos.
Os programas sexuais apurados na investigação teriam ocorrido nos últimos dois anos. O Ministério Público apura a existência de uma rede de exploração sexual.
O auditor Luiz Antônio de Souza e o fotógrafo Marcelo Caramori permaneciam presos ontem na Penitenciária Estadual de Londrina 2 (PEL 2). O advogado do auditor, Omar Baddauy, não foi encontrado para dar entrevista. Já o advogado do fotógrafo, Leonardo Vianna, reforçou que Caramori "nunca teve atividade econômica de exploração de maiores ou menores". "A promotora interpretou os fatos de maneira completamente descabida e equivocada. Esse crime não existiu. Se uma moça sai com alguém e cobra por livre e espontânea vontade, isso não é crime. Confio na Justiça", informou.


