Curitiba - A delegada titular do Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa) da Polícia Civil, Paula Brisola, informou ontem, durante uma coletiva no 1º Distrito Policial (DP) de Curitiba, que a investigação sobre as ocorrências em uma das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Hospital Evangélico, trata de possível antecipação de mortes, ou homicídios qualificados (quando há intenção de matar).
"Como já foi divulgado, o Nucrisa está investigando situações de antecipação de óbitos na UTI do Evangélico. Juridicamente, identificamos como homicídios qualificados'', disse a delegada.
A apuração sobre a atuação da médica Virgínia Soares de Souza, trabalha com a possibilidade das mortes terem ocorrido sem o consentimento das famílias. Se confirmados, tais casos não poderiam ser caracterizados como eutanásia. A investigação foi iniciada há um ano.
"Solicitei que fosse segredo de Justiça porque entendi que poderia causar uma comoção pública. Existe uma gravidade nesta situação porque as pessoas vão se sentir inseguras em relação a estes atendimentos e precisamos investigar e comprovar tudo o que estamos dizendo. Legalmente cumprimos uma decisão judicial e existem indícios suficientes para instauração de um inquérito'', explicou a delegada.
Prisão
O delegado-geral da Polícia Civil, Marcus Vinicíus Michelotto, informou que a prisão da médica ocorreu porque havia fortes indícios de ações que poderiam estar acontecendo na UTI nesta semana. "'No período de um ano não houve medida cautelar que justificasse o pedido de prisão temporária. Entretanto, nesta semana, começamos a nos preocupar. Foi neste momento que o Ministério Público e a polícia entenderam que era melhor pedir a prisão", disse.
Michelotto também informou que estão sendo investigados indícios que apontam uma possível diferenciação entre pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e particulares. Ele destacou ainda que todas as mortes ocorridas na UTI desde que a médica assumiu a chefia do setor, em 2006, serão investigadas.
Defesa
O advogado da médica, Elias Mattar Assad, informou que Virgínia está tranquila e bastante confiante. "Ela me disse que a prisão dela só pode ter ocorrido por causa de equívocos. A polícia terá que apresentar provas de materialidade. Não tendo estas provas o inquérito não vai se sustentar", alegou.
Em nova nota oficial, o Hospital Evangélico informou que mantém quatro UTIs, totalizando 50 leitos SUS, e que cada uma tem uma estrutura e equipe independente. A instituição ainda reforçou que o problema levantado é pontual em uma das UTIs, onde a direção já promoveu mudanças na equipe.

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