Investigação aponta erro de pilotos
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quinta-feira, 05 de julho de 2012
Folhapress 
São Paulo - O BEA (Birô de Investigações e Análises), órgão do governo francês responsável pelas investigações sobre o voo 447, que caiu no mar em 2009 matando 228 pessoas, afirma que foram seis as causas principais que levaram ao acidente.
Entre as causas, cinco estão relacionadas às atitudes tomadas pelos três pilotos do Airbus A330-200 durante o voo, que fazia o trajeto Rio-Paris e caiu na noite do dia 31 de maio de 2009. O relatório consolidou as informações já divulgadas em três relatórios parciais e apresentou 25 novas recomendações de segurança.
As novas recomendações de segurança, junto com as outras já emitidas pelo órgão nesta investigação, serão enviadas para instituições de aviação em todo o mundo para que problemas ocorridos no voo não sejam repetidos.
Entre as recomendações, o BEA indica a necessidade de melhorar a formação prática e teórica dos pilotos comerciais e melhorar a integração entre as equipes de pilotagem, para que saibam como agir coordenadamente em situações de emergência.
No acidente, segundo os investigadores, os pilotos, diante de indicações imprecisas de velocidade e sustentação, tiveram ações que contribuíram ou não evitaram que a aeronave caísse. Além disso, não havia uma divisão clara de tarefas entre o comandante Marc Dubois, de 58 anos, e os copilotos Pierre-Cedric Bonin, 32 e David Robert, 37, principalmente na ausência de Dubois da cabine.
O BEA também emitiu recomendações técnicas, como a necessidade de melhorar os simuladores de voo, para reproduzirem mais fielmente as condições reais de pilotagem, e mudanças no funcionamento dos alarmes de estol (perda de sustentação aerodinâmica), para que os avisos sonoros sejam acompanhados de indicações visuais.
O órgão francês recomendou ainda alterações nos procedimentos de busca e salvamento de aeronaves acidentadas, para que haja melhoria principalmente em casos de acidentes no mar - caso do voo 447.
Ao todo, o BEA teve que financiar, junto com Air France e Airbus, quatro operações de busca no oceano até encontrar as últimas peças do avião, incluindo as caixas-pretas. As três primeiras não tiveram sucesso.
O birô ainda emitiu recomendações para melhorar o controle aéreo internacional, principalmente a comunicação entre os centros de controle de países diferentes. Na época do acidente, especialistas criticaram a falta de comunicação entre o controle brasileiro e o de Senegal.
As informações constam no relatório final do acidente, apresentado ontem na sede do BEA, nos arredores de Paris. O documento foi divulgado em inglês e francês, mas o órgão promete divulgar as traduções em português e alemão em breve.



