Investidores americanos descartam prejuízo para imagem de FHC
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Monica Yanakiew 
Washington, 25 (AE) - Em Nova York, os investidores reagiram com indiferença às denúncias de que o presidente Fernando Henrique Cardoso teria interferido na privatização da Telebrás, para favorecer um dos consórcios que participaram do leilão de julho passado. Para a maioria, trata-se de uma denúncia antiga, que sequer chega a ser um escândalo. O que preocupa os investidores não é a credibilidade de Fernando Henrique, com quem se reuniram há duas semanas, em Washington e em Nova York, mas a possibilidade de o Congresso concentrar todos os seus esforços em disputas políticas em vez de aprovar o quanto antes as reformas que a economia tanto precisa.
"Não é nada além da continuação de um velho escândalo", resumiu hoje Ernst Chip Brown, do banco de investimentos Stanley Morgen/Dean Writter. Ele se referia às gravações de conversas telefônicas divulgadas em 1998, que levaram à saída de Andre Lara Resende, então presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES), e de Luiz Carlos Mendonça de Barros, na época ministro das Telecomunicações.
"Não existem provas contra o presidente, e mesmo que fique comprovada a sua intervenção, o que há de tão errado em tentar obter um preço maior numa licitação e torcer pelo maior fundo de pensões brasileiro?", pergunta Peter Egon von Svastich, do banco de investimentos Westhem International. "Teria sido bem diferente se ele tivesse cobrado uma comissão das empresas e embolsado o dinheiro. Não sendo assim, trata-se no máximo de uma situação embaraçosa", acrescentou.
Para Svastich, que qualifica as denúncias como "mais uma manobra da oposição para enfraquecer o governo", e Arturo Porzecanski, do ING Barings, o que preocupa é a instalação de mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). "Se isso acontecer, o Congresso levará semanas e meses investigando as denúncias e atrasará na aprovação de novas reformas", disse Porzecansky.


