Investidores americanos cobram reformas e FHC promete executá-las
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Por Monica Yanakiew 
Nova York, 11 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso prometeu aos investidores americanos que se reuniram com ele em Nova York continuar promovendo reformas. Tanto em Nova York, como em Washington (onde se encontrou com o presidente Bill Clinton, além do secretário do Tesouro, Robert Rubin, e seu segundo, Larry Summers), Fernando Henrique foi felicitado pela rápida recuperação da economia brasileira, mas após os elogios começaram as perguntas. Em jantar oferecido na segunda-feira à noite, pelo Economic Club - um seleto clube de banqueiros, o economista chefe do Chase Manhattan Bank, John Lipsky, perguntou se o presidente achava possível aprovar as reformas prometidas quando o Congresso brasileiro estava preocupado com outros temas
referindo-se indiretamente às CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito).
Fernando Henrique respondeu que o Congresso já aprovara as reformas necessárias, para cumprir as metas de ajuste fiscal deste ano. Mas rapidamente acrescentou: "Não estou com isso negando que seja necessário fazer novas reformas." No café da manhã de hoje com representantes de grandes empresas, Fernando Henrique prometeu trabalhar para que o Congresso aprove, no segundo semestre deste ano, algumas medidas de reforma tributária. Ele citou também a Lei de Responsabilidade Fiscal e continuação da reforma previdenciária que, segundo ele, levará tempo e só poderá ser concluída por seu sucessor.
Os banqueiros demonstraram preocupação com a difícil relação de Fernando Henrique com os governadores e sua capacidade de resistir às pressões políticas estaduais. "Como estão as negociações com os estados? ", perguntou um dos convidados do jantar, depois de lembrar da moratória decretada pelo governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB).
"A moratória é algo que faz muito barulho político, mas não tem qualquer impacto fiscal", respondeu Fernando Henrique, ao explicar que ele pode parar de transferir os impostos arrecadados pelo governo federal aos estados que não pagarem suas dívidas. "Não vou renegociar a dívida dos estados, mas tenho a obrigação de examinar caso por caso, para ver o que pode ser feito", acrescentou.
Fernando Henrique repetiu, em todos os discursos e encontros
que não será "complacente". Segundo Lipsky, os investidores até hoje atribuem a crise brasileira ao fato de o governo e o Congresso não terem colocado em prática o primeiro pacote de ajuste fiscal, anunciado no final de 1997. "Para os investidores foi importante ouvir do próprio presidente Fernando Henrique Cardoso que o Brasil não será complacente", disse o vice-presidente do Citibank, Bill Rhôdes, que organizou o café de manhã de hoje com os empresários. Foi o próprio Rhôdes que aconselhou o governo brasileiro a deixar claro que continuará controlando os gastos e realizando reformas, apesar de já ter superado o pior da crise.
"Estamos felizes que a recuperação da economia brasileira foi tão rápida, mas todos nós também sabemos que se o Brasil tivesse sido menos complacente no passado e feito o ajuste fiscal antes da crise estourar, não teria passado pelo que passou", disse Lipsky. "Daí a importância de ouvirmos, do presidente, que ele assumiu um compromisso pessoal com as reformas e não se deixará levar pelas pressões políticas ou um clima de excessivo otimismo."


