Investidor estrangeiro é destaque na Bovespa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de abril de 2000
Por Cleide Sánchez Rodríguez e Leandro Modé 
São Paulo, 05 (AE) - Os investidores estrangeiros foram destaque na compra de papéis no pregão de hoje na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que chegou a movimentar aproximadamente R$ 1 bilhão. Depois da turbulência de terça-feira, provocada pela bolsa eletrônica norte-americana (Nasdaq), eram grandes as incertezas quanto ao desempenho do mercado acionário hoje.
Mas o preço baixo de muitos papéis e a menor instabilidade (volatilidade) das bolsas norte-americanas fizeram com que os investidores voltassem a comprar. E além das fundações e de alguns fundos de investimentos, a participação estrangeira foi bastante notada por operadores, na compra tanto de papéis da chamada primeira linha, como Petrobrás e Telesp, quanto da segunda linha - um dos destaques foram os papéis do Pão de Açúcar.
O movimento de hoje, porém, não melhora a perspectiva de entrada de fluxo de capital externo no País. O balanço dos investimentos estrangeiros na Bovespa em março revelou que a saída continua. Deixaram a bolsa paulista no mês passado R$ 113 4 milhões, resultante de compras de ações no valor de R$ 3,496 bilhões e vendas no total de R$ 3,610 bilhões. Com esse resultado, o saldo acumulado no ano até o pregão de 31 de março pelos investidores estrangeiros na Bovespa passou a ser deficitário em R$ 460,9 milhões, ante um saldo negativo de R$ 347,5 milhões registrado no final de fevereiro passado.
As fortes oscilações do Nasdaq nos últimos dias não provocaram corrida de investidores para a retirada de recursos de fundos de ações. De acordo com o diretor de Renda Variável do BankBoston, Julio Ziegelmann, tanto o pequeno quanto o grande investidor estão mantendo a calma. Ele explica que tanto a crise da Rússia quanto a da ásia, dois momentos em que as bolsas perderam muitos recursos, foram causadas por problemas macroeconômicos. Desta vez, diz ele, as quedas sucessivas do Nasdaq devem-se às incertezas em relação ao preço ideal das ações da chamada nova economia.
Na Síntese Corretora, a avaliação é semelhante. "Nossos clientes não tiraram dinheiro dos fundos de ações", informa um dos sócios da empresa, João Máscolo. Para ele, o investidor brasileiro está conseguindo enxergar que o problema do Nasdaq é financeiro, não macroeconômico. "A economia norte-americana ainda está forte, assim como a conjuntura no Brasil é positiva."


