A tempestade solar ocorrida no começo da tarde de ontem foi considerada moderada pelos cientistas por uma súbita inversão do campo magnético das partículas ejetadas pelo Sol. Isto evitou um transtorno maior na atmosfera terrestre e não danificou os satélites em órbita. O fenômeno teve início por volta das 14 horas e foi se intensificando até as 17 horas (hora de Brasília), quando houve uma inesperada mudança na direção das partículas, o que permitiu à magnetosfera da Terra formar uma ‘‘blindagem’’, evitando a entrada do material solar nas camadas mais baixas da atmosfera do Planeta.
Segundo o chefe do Laboratório de Clima Espacial, órgão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Walter Gonzalez, a tempestade caminhava para ser de grande intensidade quando ocorreu uma inversão no campo magnético do material vindo da corona solar e a Terra teve como defender-se, formando um escudo natural com seu próprio campo geomagnético. A tempestade só ocorre quando as partículas solares têm seu campo magnético no sentido oposto ao terrestre.
No caso dos campos magnéticos terem a mesma direção, se igualando no sentido, a massa solar escoa pelas laterais da proteção formada em torno do Planeta. Isto ocorreu quando houve a mudança repentina nas partículas solares, que possivelmente surgiram de uma segunda explosão na periferia do Sol. ’’ Mas se tivesse continuado a mesma situação inicial teríamos uma grande tempestade’’, afirma Gonzalez.
O fenômeno chegou a preocupar as autoridades científicas de todo mundo. A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, chegou a emitir por volta das 14 horas da quinta-feira um alerta a todos os Países detentores de satélites, solicitando que desligassem os equipamentos para evitar maiores danos aos sistemas eletrônicos e sua precipitação sobre a superfície da Terra. Não há notícias de equipamento danificado.Um dos efeitos mais espetaculares da tempestade pôde ser visto no Alaska, onde ocorreu a aurora boreal diurna.

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