São José dos Campos, SP, 20 (AE) - Várias cidades paulistas que nunca experimentaram o frio devem ter oportunidade de conhecê-lo a partir amanhã, quando começa o inverno oficialmente, às 16h49. O Sudeste pode ter, no auge da estação, até 6 graus a menos que as médias térmicas históricas, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão do Ministério da Agricultura e isso vai refletir-se especialmente no Estado de São Paulo.
Para Campos do Jordão, o prognóstico é de 2 graus negativos como média este ano. Para isso ocorrer, os termômetros poderão chegar a até 6 graus negativos.
O chefe da Divisão de Meteorologia do Inmet, Expedito Rebello, explica que esse inverno está bem definido, pois inexiste o El Niño. Segundo ele, o Sudeste do País costuma ser mais frio que o Sul nesse tipo de ocasião. As massas de ar frio e seco que se elevarão para a alta atmosfera devem descer sobre o Sudeste e atingir em cheio São Paulo. "As cidades paulistas vão ter dias muito frios."
Congeladas - As águas congeladas no Pólo Sul expandiram a borda do continente em 20% a 30% acima do normal nos últimos meses e esse fenômeno colabora para aumentar o rigor do inverno. O Inmet, porém, explica que esse inverno estará dentro da normalidade.
Notou-se, porém, até o momento que 80% do Oceano Pacífico está com anomalias de temperatura. Na porção equatorial
um bolsão de água fria com 10 mil quilômetros de extensão segue da Indonésia até a costa do Peru, conhecido como La Niña. Mais abaixo, outra faixa ocupa desde a costa sul da Austrália até o Chile. Ambas estão em média, 4ºC abaixo do normal.
O fenômeno do resfriamento das águas intensificou-se nas últimas semanas, com a proximidade do inverno no Hemisfério Sul. Isso influencia o regime dos ventos e a entrada das massas de ar polar sobre o continente sul-americano. Os últimos quatro invernos foram anemos em consequência dos efeitos do El Niño.
A anomalia climática descaracteriza o inverno, pois consegue formar bloqueios que desviam as rotas das frentes frias. Segundo Rebello, atualmente inexiste bloqueio para as frentes frias e elas entram pelo corredor atmosférico existente no sul do Chile.
Neve - A formação da banquisa antártica (congelamento das águas nas bordas do Pólo Sul) trata-se de um processo sazonal, entretanto, está em franco desenvolvimento. A solidificação diária nos contornos da calota polar é de 12 mil quilômetros. O Oceano Atlântico também apresenta bolsões de água fria entre a costa argentina e o Rio, o que agrava a situação.
Os efeitos, porém, já são sentidos nos extremos do continente. Bariloche está com 50 centímetros de neve, depois de dois anos sem a ocorrência do fenômeno. No Brasil, São Joaquim (SC) e Bom Jesus (RS) tiveram uma baixa das médias térmicas históricas em maio. Houve ainda o aumento em quatro vezes da frequência de geadas e das horas de frio, que são registradas sempre que os termômetros chegam abaixo de 7 graus.

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