Invenção beneficia pacientes com paraplegia
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domingo, 05 de abril de 2009
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Uma novidade pode deixar parte do tratamento mais acessível a pacientes paraplégicos. Trata-se de uma tala feita de fibra de vidro, invenção do fisioterapeuta Fábio Gibertoni, de Londrina. Entre as vantagens do equipamento estão o custo e a durabilidade.
Segundo o fisioterapeuta, a tala é uma órtese usada para complementar o trabalho no paciente com lesão medular. ''O uso da tala faz parte do protocolo como uma das etapas do tratamento e é utilizada para treinar marcha nos pacientes que tem prognóstico para andar'', explica.
Uma lesão na medula, lembra o especialista, pode ter várias causas, entre elas acidentes de trânsito e de trabalho, quedas, mergulhos e disparo de arma de fogo. E quem sofre lesão pode ficar tetraplégico, quando não é possível movimentar nem pernas, nem membros superiores, ou paraplégico, quando o paciente não movimenta pernas, mas braços e tronco permanecem íntegros. No caso da paraplegia, o paciente, além do uso de cadeira de rodas, tem a opção de andar com o uso de muletas, com a ajuda de talas nas pernas. A tala tem a função de sustentar os joelhos e mantê-los estendidos.
Tradicionalmente, explica o fisioterapeuta, é usada no tratamento uma tala feita de gesso, moldada para o paciente. Ela é considerada provisória até que o paciente esteja treinado e possa optar pela definitiva, de fibra de carbono, ou pela cadeira de rodas. A desvantagem desse tipo de material é a fragilidade. Outro ponto negativo é a fixação, que deve ser feita com faixas de algodão crepe, e por isso, é demorada.
No modelo inventado pelo fisioterapeuta, a fibra de vidro deixa a tala mais leve e resistente, e com a colocação mais cômoda, pois velcros substituem as faixas de algodão. O fato de não quebrar faz com que a peça possa ser usada tanto durante o treinamento, quanto depois, de forma definitiva. E nesse quesito entra outra vantagem - o custo. Feita de fibra de vidro, a órtese tem valor em torno de R$ 300,00, enquanto a tradicional, na maioria das vezes custeada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), custa em média R$ 2 mil. ''É uma boa alternativa para pacientes carentes. O SUS fornece a (órtese) definitiva, mas para isso é preciso entrar em uma fila de espera de em torno de oito meses'', aponta.
Mesmo que o paciente com paraplegia opte pelo uso de cadeira de rodas, explica o fisioterapeuta, é preciso ficar em pé pelo menos um período do dia. Isso é necessário, segundo ele, para o bom funcionamento do intestino e para evitar o risco de osteoporose, já que o contato do pé com o solo causa uma descarga elétrica que possibilita a compactação de cálcio nos ossos. ''Alguns pacientes também tem contrações musculares involuntárias e ficar em pé reduz essa hipertonia, levando o músculo ao relaxamento'', explica.
Hoje, quatro pacientes em Londrina testam o uso da tala feita de fibra de vidro. Gibertoni afirma que profissionais interessados em aprender gratuitamente a técnica de confecção do produto podem entrar em contato com ele.
Serviço: Mais informações (43) 3344-4117


