Invasores usaram tática de guerrilha em ocupação
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
BELÉM - Uma autêntica operação de guerrilha foi montada por 35 homens que, armados e encapuzados, invadiram domingo passado a fazenda Inajá, em Santa Maria das Barreiras (sul do Pará). A estrada que dá acesso à fazenda foi bloqueada com troncos de árvores. Os invasores se dividiram em grupos e patrulham três mil hectares de motocicleta. Eles evitam contatos com jornalistas e só falam através do advogado José de Abreu. A fazenda foi invadida, segundo Abreu, porque andava correndo pela região o boato de que seria desapropriada pelo Incra para assentamentos da Reforma Agrária.
Abreu afirmou que os homens não vão abandonar a fazenda ocupada, pois lá pretendem viver e criar gado. Cada um deles tem 35 cabeças que estão espalhadas pela região. Querem unir tudo e trazer para cá, onde pretendem montar um rebanho de cinco mil cabeças. O advogado desconversou quando foi questionado se os invasores seriam mesmo sem-terra ou desejavam apenas se apossar das 1400 cabeças de gado da fazenda. Eles precisam sobreviver com suas famílias, disparou.
Um comerciante da região, que não quis se identificar, garantiu ontem que costuma comprar madeira roubada de fazendas invadidas em São Félix do Xingú e Redenção. Para ele, esse tipo de comercio é comum no Sul do Pará. Tem muito madeireiro que faz isso, porque sai mais barato. O secretário de Segurança, Paulo Setti Camara, havia admitido anteontem que a polícia tem conhecimento da existência desse comercio paralelo de madeira roubada. Só falta descobrir quem são esses ladrões, frisou.
O clima na Fazenda Inajá continuava tenso ontem. Escondidos na mata, os invasores dão tiros para o alto cada vez que alguém tenta se aproximar. A Polícia Civil simplesmente não existe em Santa Maria das Barreiras. O único posto policial da região é dirigido por um sargento da Polícia Militar. Em Redenção, município vizinho, a penúria da PM salta aos olhos. O major Odemir Morgalho, comandante do 7º Batalhão, choraminga dispor de apenas 230 soldados para cobrir seis municípios. Os bandidos daqui têm munição e armas modernas. Ele não revela quais e quantos armamentos possui seu batalhão. Entretanto, mosquetões fabricados em 1908 são vistos nas mãos de alguns soldados.
No fórum de Redenção, a juíza Elaine Figueiredo exibe dez processos de reintegração de posse não cumpridos pela polícia contra invasores de propriedades. As policias civil e militar alegam falta de condições materiais (veículos, armas e munição, além de alimentação) para cumprir as decisões da Justiça.
Em Belém, o comandante geral da PM, coronel Fabiano Lopes, recebeu informações do quartel de Redenção sobre o clima de tensão existente na Fazenda Inajá. O gerente e os empregados de lá expulsos foram avisados de que serão mortos caso tentem voltar ao local. Um grupo de cinco PMs tentou entrar na fazenda, mas desistiu ao pressentir que poderia ser emboscado. O mesmo ocorreu com uma equipe da TV Liberal.


