Invasores resistem e entram em conflito com guarda-civil
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quinta-feira, 19 de agosto de 1999
Por Rosa Bastos 
São Paulo, 20 (AE) - A remoção de invasores de uma área de mananciais, na zona norte de São Paulo, por guardas-civis metropolitanos acabou em pancadaria e na prisão de uma das líderes da ocupação, Maria Madalena Figueiredo, de 47 anos. No começo da noite, centenas de moradores da região fizeram protesto em frente do 73º Distrito Policial, no Jaçanã, pedindo a libertação de Maria Madalena. O delegado Paulo César Gonçalves já havia arbitrado a fiança, no valor de R$ 50,00.
Por volta das 11 horas, funcionários da Regional do Jaçanã-Tremembé chegaram ao Jardim Fontales, um novo loteamento clandestino na área da Serra da Cantareira, acompanhados da Guarda Civil Metropolitana. Quando passaram a derrubar uma casa, o tumulto começou. Os invasores reagiram com pedradas. Segundo testemunhas, os guardas-civis teriam disparado vários tiros para o alto e espalhado pânico.
"Madalena não agrediu ninguém nem começou o tumulto", contou Maria do Carmo Novaes Santana, de 42 anos, dois filhos, conhecida por Nenzinha. Ela já tem "um lugarzinho" no local. "A confusão começou porque a máquina estava derrubando uma casa e o morador gritava, desesperadamente, que tinha gente lá dentro." Segundo ela, o problema ocorreu quando o inspetor da GCM não atendeu ao pedido para interromper a operação.
"Foram vários tiros: o povo correndo e a polícia atrás", contou Nenzinha. Disse que Maria Madalena desmaiou e ela tentou socorrê-la. "Mas eles (os guardas-civis) me ameaçaram, apontando a arma na minha direção", acrescentou. "Recuei, porque senão, acho, eles teriam atirado."
O delegado prendeu Maria Madalena por desacato a autoridade e resistência à prisão. Também pediu exame residuográfico dos guardas para comprovar se atiraram.
Desde a semana passada, quando a Regional do Jaçanã-Tremembé passou a demolir imóveis e apreender material de construção em loteamentos clandestinos, o clima estava bastante tenso nas áreas ocupadas. O inspetor-chefe da Divisão da Guarda Civil de Santana, Ademar José Delecródio, disse que seu trabalho é dar "garantia física" aos funcionários da regional. "Eles têm ordem para demolir construções ilegais ainda sem moradores e sem laje."
Segundo ele, todas as vezes Maria Madalena estava presente. "Seu único intuito é agitar a turba para impedir o trabalho dos fiscais", disse. "Hoje ela chegou às raias de me arremessar um paralelepípedo", contou ele, mostrando o braço enfaixado.
Os tiros dados pela Guarda Civil, de acordo com o inspetor, só existiram "na imaginação" dos moradores. "Fomos para cima deles com nossos bastões."
O deputado Henrique Pacheco (PT), que interveio para impedir que a casa fosse derrubada, disse que a área, extremamente pobre, na divisa da capital com Guarulhos, vinha sendo ocupada nos últimos anos "sob as vistas e a complacência da administração regional".


