Lindoeste - As famílias que invadiram, no início do mês, a Fazenda Santa Luzia, em Lindoeste (50 Km ao sul de Cascavel), não respeitaram a decisão judicial que concedeu um prazo de 10 dias para que deixassem a propriedade. O prazo expirou à meia-noite de ontem, mas as famílias decidiram em assembléia permanecer no local, enquanto não for encontrada uma nova área onde possam criar um assentamento.
Mesmo alegando ser um movimento pacífico, os invasores dizem estar prontos para enfrentar um possível despejo pela Polícia Militar. Em sua decisão, o juiz da 1 Vara Cível de Cascavel, Fabrício Priotto Mussi, deu um prazo de 60 dias para que o governo do Estado proceda a desocupação em caso de permanência das famílias. Além disso, o magistrado determinou um multa individual de R$ 100 por dia de permanência, caso não saíssem no prazo estipulado.
Um dos líderes da ocupação, Adir Correia da Silva, 30 anos, afirmou que grande parte das mais de 50 famílias que estão no acampamento não terão para onde ir se deixarem a fazenda. Ele completou que as famílias estão sem comida, e a solução tem sido buscar trabalho de bóia-fria em propriedades vizinhas. ''A gente ganha R$ 8,00, por dia. O dinheiro que entra é para comprar comida. Não tem como pagar essa multa'', frisa.
Laudo emitido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) considera a propriedade produtiva. Essa é a segunda vez que a fazenda de 169 alqueires, de propriedade de Lino Martini, é invadida por famílias de trabalhadores rurais. O proprietário pediu a reintegração de posse que foi concedida pela Justiça, baseado no laudo do Incra. Desde a decisão do juiz, pelo menos três famílias deixaram a propriedade.

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