Invasores resistem à desocupação
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segunda-feira, 06 de outubro de 1997
Agência Estado Belém 
Arquivo FolhaJungmann: visita sigilosaOs sem-terra que há quase um ano ocupam a Fazenda Pastoriza, em São João do Araguaia, no sul do Pará, armaram barricadas, retiraram as mulheres da área e estariam adquirindo armas pesadas para enfrentar a Polícia Militar no caso de cumprimento da ação de reintegração de posse concedida pela Justiça. A fazenda foi declarada produtiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) após quatro vistorias no local. Segundo o superintendente do órgão em Marabá, Petrus Abib, o governo não tem mais o que negociar com o MST. Se a fazenda é produtiva, não podemos desapropriá-la, afirmou.
Gladson Barbosa, da coordenação do MST em Marabá, contesta a informação, afirmando que os proprietários da fazenda nunca investiram na área. Eles fazem corte ilegal de madeira e só colocaram umas cabeças de gado lá dentro para dizer que a fazenda é produtiva.
Em Belém, uma fonte do Palácio dos Despachos informou que o gabinete militar do governo do Estado teria recebido um relatório sigiloso do Estado Maior da Polícia Militar desaconselhando a desocupação. O principal motivo seria a distribuição dos sem-terra por pontos estratégicos da fazenda com armas pesadas.
A presença sigilosa do ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, na quinta-feira em Belém, no entanto, demonstra a preocupação do governo com o problema. Jungmann se reuniu a portas fechadas com o governador Almir Gabriel. A informação oficial divulgada é a de que ambos teriam conversado sobre um projeto do governo do Pará que cria um modelo estadual de reforma agrária. Para Jungamnn, se há armas em poder dos sem-terra seria o caso de o poder público estadual, e da própria Polícia Federal, investigar. Não acredito nisso. Seria uma estupidez, eles seriam esmagados.


