Invasores ocupam terceiro terreno em 20 dias
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina A Prefeitura de Londrina registrou ontem a terceira invasão de terreno na cidade nos últimos 20 dias. Todos os casos ocorreram na zona norte. A ocupação de um terreno no Jardim São Jorge, que atualmente abriga cerca de 300 famílias, serviu de estopim para o surgimento de mais duas áreas de moradias improvisadas: uma no Conjunto Maria Cecília, com 450 pessoas, e a mais recente, que começou a ser ocupada ontem, no terreno que abrigava uma horta comunitária, na Rua Vantuil Frisseli, no Jardim Primavera.
Os nomes pintados em branco no asfalto junto ao meio-fio delimitam o espaço das 15 primeiras famílias. O operário Alexandre Miranda, no entanto, avisa que mais 15 famílias devem chegar nos próximos dias. Ele relatou que com o salário mínimo que ganha não consegue sobreviver, pois só o aluguel da casa no Aquiles Stenghel custa R$ 400. "Tenho mulher e filha pra sustentar, não posso mais pagar esse absurdo de aluguel. Todo mundo está invadindo, por que eu não posso?", questionou.
Enquanto ele erguia a moradia de forma precária, alguns amigos puxavam água de uma nascente a 200 metros do terreno, próximo ao ecoponto do bairro. "Aprendi que não adianta ficar esperando. Minha casa, minha vida eu mesmo faço", revoltou-se. Vizinhos que preferiram não se identificar disseram que os novos vizinhos são bem-vindos, mas disseram que pelo menos a horta poderia ter sido poupada.
No Conjunto Maria Cecília a situação é ainda mais precária. A ocupação do fundo de vale na Rua Ana Caputo Piacentini faz divisa com áreas de mata e plantação de soja. Nos cinco dias que está lá ajudando a construir um barraco para o cunhado, a dona de casa Zilda Santos de Oliveira já encontrou cobras e outros animais peçonhentos. "Ninguém queria estar aqui, mas o problema é que não há escolha. O povo precisa de casa ", reivindicou.
O presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), José Roberto Hoffmann informou que o fundo de vale do Maria Cecília está em área de preservação permanente. "A ocupação pode render processo ambiental e, se condenadas, as famílias certamente terão problemas para conseguir uma moradia. Não podemos ser conivente com as ocupações", pontuou. Atualmente, cerca de 15 mil pessoas em situação de risco social aguardam uma moradia.
Hoffmann explicou a distribuição de casas segue critérios técnicos, e não é feita pelo tempo que a pessoa aguarda. "Famílias mais numerosas, com crianças ou idosos, que moram próximo das unidades habitacionais têm preferência. É necessário comprovar que mora há mais de cinco anos em Londrina", explicou.
O Ministério Público foi acionado e a prefeitura estuda medidas para retirar as famílias das áreas de ocupação. A Secretaria de Gestão Pública termina esta semana um levantamento de documentos para ingressar ação judicial de reintegração de posse dos terrenos, com exceção do assentamento do Jardim São Jorge, instalado em área particular.


