Curitiba - O agricultor Valdomiro Bognar, arrendatário da Fazenda Baronesa dos Candiais 2, em Luiziana (30 km ao sul de Campo Mourão), disse ontem que os sem-terra que ocupam a área querem 50% da produção de aveia para permitir a colheita. As cerca de 500 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram a propriedade em 28 de abril. Bognar calcula que os prejuízos podem chegar a R$ 400 mil.
''Não considero justo dividir a produção, porque a semente, o adubo, o óleo diesel, o maquinário é todo meu'', afirmou Bognar. A proposta dos sem-terra foi apresentada pelo representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na região, padre Alziro dos Santos.
O padre justificou a exigência argumentando que os sem-terra mantiveram a limpeza da cultura, o que teria garantido a produtividade, e consideram justo ter um pagamento por isso. ''Eles pediram em aveia'', disse. Os agricultores não concordam com a proposta de Bognar, que quer semear soja depois da colheita da aveia. ''Eles querem a terra para plantar'', afirmou.
Bognar disse que esteve na fazenda e observou que parte da aveia está perdida. ''Está ficando quebradiça e apodrecendo'', lamentou. ''Mais uma semana e não compensa tirar mais nada.'' Ele reclamou de não ter conseguido plantar trigo em maio, por isso devolveu as sementes para a cooperativa. A soja deve ser plantada neste mês. Caso não consiga, os prejuízos, até agora calculados em R$ 50 mil, podem chegar a R$ 400 mil.
O arrendamento da terra foi pago antecipadamente, mas no fim do ano precisa ser renovado. ''O dono já veio perguntar o que eu farei, mas não acredito na hipótese de não plantar'', afirmou. Segundo Bognar, dos cinco funcionários que tinha apenas um está sendo mantido em uma casa alugada na cidade.
Bognar conseguiu mandado de reintegração de posse no dia seguinte à invasão, em abril. A Secretaria de Segurança Pública chegou a anunciar que a desocupação da fazenda aconteceria no dia 8 de agosto, mas a pedido do Incra, CPT e MST, ela foi suspensa, pois havia expectativa de que seria apresentada uma solução para o problema. Dez dias depois, em reunião na secretaria, o MST comprometeu-se a deixar pacificamente a propriedade.
Ontem o secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, disse que havia determinado instauração de inquérito policial para analisar a situação da fazenda. ''Se for questão de polícia, os mecanismos já foram acionados'', afirmou. A reportagem não conseguiu falar com o superintendente do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, que estava em reunião.

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