Invasores de terra matam fazendeiro branco no Zimbábue
Harare, 16 (AE-AP) - Pela primeira vez desde o início da ocupação de terras, há dois meses, no Zimbábue, veteranos da guerra da independência (1972/1980) assassinaram um fazendeiro branco, informou hoje (16) a União Comercial dos Fazendeiros (CFU).
O incidente coincidiu com o regresso do presidente Robert Mugabe de uma viagem oficial a Havana. "Não vou ordenar a desocupação das terras dos brancos", afirmou o líder zimbabuano, aumentando a tensão no país.
Na quinta-feira, o presidente interino reverteu ordem dada pelo vice-presidente em exercício, Joseph Msika, que havia exigido a saída dos invasores, apoiando decisão judicial. "Compete a nós, governo e povo, resolver a questão da terra e não os tribunais."
Mugabe classificou as invasões de ato pacífico. "Enviar a polícia para reprimir a ocupação das terras provocaria mais violência e um grande conflito", acrescentou. "A única forma de evitar isso é aplicar a nova lei das terras (expropriação das fazendas sem indenização), que brevemente entrará em vigor."
Muito criticado no exterior, o presidente zimbabuano prometeu reunir-se com representantes dos fazendeiros e dos veteranos (seus aliados) para evitar mais derramamento de sangue.
O fazendeiro branco morto, identificado como David Stevens, tinha sido sequestrado com outros cinco brancos por um grupo de veteranos ontem, quando tentava negociar com eles a não invasão de suas terras em Marondera (a mesma região onde em 4 de abril um policial foi assassinado por engano pelos ex-combatentes).
Os cinco fazenderios perseguiram o carro dos sequestradores, mas acabaram sendo rendidos e também tomados como reféns perto de um posto policial na localidade de Murewa. "A polícia nada pode fazer ou não quis fazer", disse o presidente da CFU, Tim Henwood, que contou para a imprensa o drama das vítimas.
Todos os fazendeiros foram levados para um local ermo e espancados. Stevens, o interlocutor do grupo, recebeu dois tiros de revólver na cabeça à queima-roupa.





