Invasões de terra aumentaram no Paraná
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sábado, 13 de janeiro de 2007
Fábio Galão<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) divulgou ontem um levantamento que aponta que as ocupações de terra aumentaram no Estado no ano passado. Segundo a entidade, em 2006 ocorreram 49 ocupações nas áreas rurais paranaenses, enquanto em 2005 foram 36 ações do tipo.
Ainda de acordo com a Faep, o Governo do Paraná reintegrou no ano passado 31 propriedades; dentre estas, 23 das ocupadas em 2006. A Federação informou que o ano de 2007 começou com 86 propriedades rurais ainda ocupadas. Segundo a entidade, das 49 ocupações de 2006, sete foram relativas a propriedades ocupadas mais de uma vez.
''É a continuidade de uma situação de décadas. No fundo, o aumento das invasões é causado pela impunidade. Os invasores depredam, roubam, e ninguém faz nada. A reincidência nas invasões também ocorre devido a essa sensação de impunidade. O governo retira as famílias invasoras, elas acampam do outro lado da estrada e depois voltam'', disse José Guilherme Cavagnari, consultor de Assuntos Fundiários da Faep.
''Para reduzir o número de invasões, basta cumprir a lei. Tem que responsabilizar criminalmente quem invade e depreda propriedades'', afirmou Cavagnari. O consultor eximiu o Governo do Estado de responsabilidade pelo aumento do número de ocupações.
O consultor criticou a Ouvidoria Agrária Nacional, que compila dados sobre ocupações de terra. Segundo números do órgão, em 2006, até o mês de novembro, teriam ocorrido sete ocupações de terra no Estado. Em 2005, teriam ocorrido 15 ocupações de janeiro a dezembro. ''Esses números estão totalmente errados. Ou as informações recebidas pela Ouvidoria estão equivocadas, ou houve má-fé'', disse Cavagnari.
José Damasceno, um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Paraná, respondeu à afirmação do consultor de que ocorreriam depredações e roubos durante as ocupações. ''As ocupações do MST são pacíficas. O movimento existe para organizar ocupações. Sem nós, elas aconteceriam do mesmo jeito. Se houve violência, foi por parte dos latifundiários'', afirmou o coordenador.
''Se houve aumento no número de ocupações, foi em razão da falta de reforma agrária. Mas é bom lembrar que além do MST outros movimentos organizam ocupações. O que é bom, pois não queremos o monopólio na luta pela terra'', argumentou Damasceno. ''Geralmente, quando (algum participante das ocupações) extrapola, são grupos autônomos, que agem sem orientação''.


